2º Domingo da Páscoa (Ano C)

2º Domingo da Páscoa – C

Leituras do Dia

1ª Leitura – At 5,12-16

Salmo – Sl 117,2-4.22-24.25-27a(R.1)

2ª Leitura – Jo 1,9-11a.12-13.17-19

Evangelho – Jo 20,19-31

A liturgia deste segundo Domingo da Páscoa é marcada pelo destaque que a comunidade cristã tem, como protagonista de um local onde todos podem ter o encontro com Cristo ressuscitado. A comunidade é o local escolhido para isso. Nós vemos no livro dos Atos dos Apóstolos como as primeiras comunidades foram formadas. Como foi a partir do testemunho vivo dos apóstolos que as pessoas começaram a se reunir em torno daquilo que viriam a ser as primeiras comunidades cristãs.

Nós vemos na leitura de hoje que os discípulos, no princípio da organização das comunidades, realizavam muitos prodígios no meio do povo. Jesus concedeu a eles a permissão de realizar estes sinais em nome Dele, porque julgou ser algo propício para aquele momento de construção inicial das primeiras comunidades. Se prestarmos atenção aos relatos da nossa leitura de hoje e de alguns outros trechos do livro dos Atos dos Apóstolos, veremos que a descrição da ação exercida pelos apóstolos de Jesus neste momento e a reação que o povo apresenta frente a estes fatos muito se assemelha às narrativas de muitos acontecimentos ocorridos durante a vida pública de Jesus. Nós vimos por diversas vezes nas narrativas evangélicas, principalmente naquelas que nos são apresentadas nos evangelhos sinóticos (que são os de Mateus, Marcos e Lucas) a ação libertadora de Jesus atuando a pleno vigor, ação esta que se manifestava muitas vezes pela cura física e espiritual de inúmeras pessoas, que, uma vez libertas das amarras físicas, espirituais e mesmo pseudo-morais, que faziam com que elas fossem excluídas da sociedade em que viviam, passavam a ser reintegradas à convivência dentro da sua comunidade.

Então, partindo dessa análise, nós podemos interpretar que na visão de Lucas, que é o autor do livro do Atos dos Apóstolos, mas também é autor de um dos evangelhos sinóticos, a missão desta nova comunidade, que estava sendo formada, deveria ser uma continuidade da missão que foi proposta às pessoas pelo próprio Jesus durante os anos em que esteve exercendo seu Ministério, durante sua vida pública. A semelhança dos acontecimentos narrados por Lucas em ambas as situações nos traz a ideia de que, muito mais do que o desejo de nos transmitir um retrato fotográfico da época de formação destas primeiras comunidades, com detalhes narrativos de minúcias de acontecimentos ocorridos, a ideia principal de Lucas é uma ideia que quer nos transmitir um ensinamento teológico. Um ensinamento às comunidades, desde as primeiras que foram formadas, até as milhares que surgiram durante os séculos, ou ainda, às milhões de comunidades, hoje existentes. Todas as comunidades que se formaram com base no cristianismo, devem ter a mesma missão original proposta por Jesus durante sua vida no meio de nós. As comunidades devem continuar a missão libertadora de Jesus em favor dos excluídos, em favor dos oprimidos, dos pobres, daqueles que não tem a devida atenção dada pelos ocupantes dos poderes constituídos, daqueles que não representam nada, ou praticamente nada, para as camadas privilegiadas das sociedades.

Vejam quanta semelhança realmente temos com as narrativas dos acontecimentos descritos nos evangelhos, quando eram mencionados trechos que narravam as ações de Jesus no meio do povo e o modo como o povo se portava em sua presença. Os relatos têm muita semelhança entre si, o que nos reforça realmente a ideia de que essa descrição feita por Lucas tem uma forte conotação teológica, querendo nos mostrar a importância da continuidade do projeto salvador e libertador de Jesus na vida das novas comunidades. Nós vemos no texto de hoje:

“Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.”

Pedro
Créditos da Ilustração: freebibleimages.org

Agora eu vou chamar a atenção de vocês para um fato em particular que é mencionado nesta leitura. A leitura faz referência ao fato de que a sombra de Pedro tinha um grande poder curativo. As pessoas traziam os doentes, motivadas pela fé, em camas e macas e esperavam que Pedro, ao menos com sua sombra, as tocasse. É curioso que o relato de realização de curas através do contato com a sombra não é nem atribuído à pessoa de Jesus. Será que Lucas quer nos dizer que Pedro tornou-se um ser mais poderoso que o próprio Jesus? Mais uma vez temos que recorrer à intenção teológica do autor, que coloca em Pedro a personificação de que, para todo aquele que se dispõe a abraçar o projeto salvador e libertador proposto por Jesus, tudo se torna possível.

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra:

www.youtube.com/voxcatolica