3º Domingo da Páscoa (Ano C)
Leituras do Dia
- 1ª Leitura – At 5,27b-32.40b-41
- Salmo – Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b(R.2a)
- Salmo – Ap 5,11-14
- Evangelho – Jo 21,1-19
A liturgia desse 3º Domingo da Páscoa vai nos mostrar que a comunidade cristã, da qual falamos tanto na semana passada, criada com fundamento em Jesus Cristo ressuscitado, tem por objetivo principal testemunhar a presença viva de Jesus no meio dela, e continuar trabalhando na realização de seu projeto libertador em favor daqueles que a integram. Além disso, também cabe a comunidade, através de seu testemunho de vida, atrair cada vez mais membros para dentro de si. Dessa maneira, ela crescerá em número, mas também em testemunhas, uma vez que estes membros, já integrados plenamente, também serão membros ativos dela. Bonita essa teoria… Mas, como nós vimos nas leituras de hoje, essa missão foi extremamente difícil naquele começo, em particular, e continua sendo difícil também nos dias de hoje. Cada época com sua dificuldade, mas a concretização dos projetos de Jesus sempre encontrou, e ainda encontra, muita resistência por parte daqueles que rejeitaram e, hoje ainda, rejeitam suas palavras.
Na primeira leitura encontramos uma frase que deve nortear insistentemente a vida de todos nós, católicos, a vida de todos os cristãos! Mas primeiro vamos contextualizar a frase para que possamos ter a verdadeira noção do que ela representou naquele momento, tendo em vista o contexto em que ela foi proferida. Pedro havia sido preso pelos guardas e levado à presença do Sinédrio. Apenas para ficar claro, o Sinédrio era a o equivalente da Suprema Corte de Israel naquela época. Os seus membros eram os responsáveis por administrar a Justiça e por interpretar e aplicar a Lei Judaica. Além disso, também eram os responsáveis por fazer a representação do povo de Israel junto ao Império Romano. É dentro deste ambiente de poder que Pedro é levado para dar explicações ao Sumo Sacerdote, que era a pessoa que comandava o Sinédrio. Quando ele foi abordado pelo Sumo Sacerdote, que disse que eles (Pedro e os apóstolos) haviam sido proibidos expressamente de ensinar em nome de Jesus, Pedro, com o respeito devido à autoridade, mas sem nenhum temor do conteúdo de sua resposta, diz: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens.”
É exatamente esse o desafio de todos nós. Obedecer primeiro a Deus e depois aos homens. Esse é o tema central da nossa leitura. A proposta feita por Jesus à humanidade não se adequa aos esquemas humanos, que fazem todos os esforços para manterem inabalados os seus esquemas de privilégio que foram construídos e que acabam por excluir, por um sem número de motivos, grande parte das pessoas. Os sistemas de poder construídos pelo mundo não prezam pela igualdade entre os homens, não prezam pelo amor entre as pessoas. Eles são, na verdade, fonte de todo o desequilíbrio, de toda a desigualdade, de toda a injustiça, que dominam nossa existência desde o momento em que as pessoas passaram a conviver juntas em sociedade. É por conta de tudo isso, por conta do pecado, da desobediência dos homens em relação ao criador, que foi desconstruído o plano de Deus para as pessoas, porque as pessoas optaram por olhar somente para seus próprios interesses, optaram por obedecer a outros senhores que não Deus, por causa de tudo isso, foi que Jesus veio a esse mundo para nos resgatar desta situação e para, principalmente, resgatar aqueles que foram os mais prejudicados, os mais afetados por tudo isso . Jesus nos deixou seu legado através dos apóstolos, que foram os seus companheiros de caminhada e que, como Ele, também não poderiam ser aceitos de maneira amistosa por aqueles mesmos que crucificaram o Seu Mestre.

Hoje, nossas comunidades são a continuação deste legado. Nossas comunidades têm por obrigação primeira, assim como Pedro, diante de todas as situações, obedecer antes a Deus do que aos homens. E quem é a nossa comunidade, senão a junção individual de todos os seus membros? Sendo junção individual de seus membros, ela não pode se dedicar a uma obediência que preze sempre, em primeiro lugar, a obedecer a Deus coletivamente, se individualmente os seus integrantes não tiverem este mesmo propósito. Se cada indivíduo tem o seu propósito individual de obediência aos desígnios de Deus, já vai chegar “treinado” na comunidade, já vai ser integrado a ela imbuído do espírito que deve animar as verdadeiras comunidades cristãs. Mas, ao contrário, se as pessoas não começarem a exercer essa primazia da obediência a Deus em suas vidas individuais, mesmo que cheguem a integrar uma comunidade, não deixarão que seu individualismo seja calado pelo interesse maior do coletivo, pelo interesse que deve ser inspirado pelo projeto libertador e salvador de Jesus.
(…)continua
Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra: