6º Domingo da Páscoa (Ano C)
6º Domingo da Páscoa – C
Leituras do Dia
- 1ª Leitura – At 15,1-2.22-29
- Salmo – Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 4)
- 2ª Leitura – Ap 21,10-14.22-23
- Evangelho – Jo 14,23-29
Chegamos ao sexto Domingo do Tempo Pascoal… hoje, na primeira leitura, mais uma vez vamos acompanhar a formação das primeiras comunidades cristãs. Já vimos, nas semanas anteriores, como a pregação de Paulo e Barnabé foi expandindo a mensagem de Jesus pelas comunidades fora de Jerusalém. Como eles levaram a pregação do evangelho ao mundo grego e romano, e como essa mensagem foi recebida de maneira diferente por diversos grupos de pessoas. Fato é que a grande massa de pessoas que aderiu ao convite à conversão feito através de Paulo e Barnabé eram pagãos. Pagão, para os Judeus, eram todos aqueles que não pertenciam à fé judaica, todos os que não eram membros do povo escolhido.
Dado este contexto, com essa adesão em massa de pessoas oriundas do paganismo, algumas questões relevantes, que até aquele não momento não tinham sido levantadas, começaram a surgir. E a principal delas talvez seja aquela que vemos hoje na primeira leitura. Para aderir à proposta de Jesus Cristo, os pagãos teriam que passar primeiro pelo judaísmo, tendo em vista que foi lá, dentro daquela cultura, em particular, que Jesus se manifestou ao mundo? Será que deveria ser imposta a esses novos convertidos a prática da lei de Moisés para que eles pudessem ser reconhecidos como membros dessa nova comunidade baseada nos ensinamentos de Jesus?
Reparem, que aqui nós não estamos vendo uma discussão sem sentido, como pode parecer para nós nos dias de hoje. Temos sempre que tentar entender o contexto em que essa problemática estava inserida. Estamos diante de uma questão que, dependendo do rumo que sua resolução tomasse, iria ter sérias consequências para continuidade da pregação dos apóstolos, e, consequentemente, para a construção daquelas comunidades que viriam a se tornar no futuro a base da Igreja de Jesus. Aquele ambiente ainda era um ambiente de indefinição. Não existia uma clara ideia da diferença entre o que era o Judaísmo e o que viria a se tornar o Cristianismo. Essa separação que nós vemos claramente nos dias de hoje não existia com clareza naquele momento. Ainda estávamos vendo o processo de cisão que estava ocorrendo dentro do Judaísmo, entre os que receberam a mensagem de Jesus e os que não a receberam. Jesus veio para os Judeus, primordialmente. Se a grande maioria dos Judeus tivesse aceitado Jesus como enviado de Deus, como Messias, como Salvador e Redentor, e apenas uma ínfima minoria, ainda que poderosa ao ponto de o entregar para ser morto, o tivesse rejeitado, hoje, talvez, essas nomenclaturas que nós conhecemos como Judaísmo e Cristianismo seriam diferentes. Não podemos saber ao certo. Mas é fato que, naquele momento, ainda não existia uma clara separação entre judeus e cristãos.
A grande questão que estava sendo levantada era se a salvação viria através da circuncisão, que era uma prática obrigatória no judaísmo, e também da observância das leis contidas na Torah, que deviam ser rigorosamente cumpridas pelos judeus, ou se seria exclusivamente uma dádiva oferecida por Jesus. Trocando em miúdos…. o que estava em discussão era se Jesus era o único Salvador e responsável por nossa salvação ou se precisaríamos, além da graça que nos foi oferecida por Ele, da observância de outras coisas para podermos alcançar a salvação.
A Comunidade de Antioquia, onde foi travada esta discussão, tinha estas dúvidas. Não sabia exatamente como proceder. Lembremos, pessoal, de que lá havia uma grande quantidade de pagãos recém-convertidos e, também, uma expressiva quantidade de pessoas pertencentes ao povo judeu. Daí podemos ver a relevância que esta questão tomou. Muitos dos novos cristãos, mas que possuíam uma origem judaica, ou seja, eram judeus que haviam acolhido Jesus como Messias Salvador, mas davam grande valor a suas tradições e, consequentemente, às práticas tradicionais que já tinham o costume de observar, defendiam que os pagãos primeiro deveriam se converter ao Judaísmo, passar pela circuncisão e pela observância das leis da Torah, para, finalmente, alcançar a Salvação prometida por Jesus. Já Paulo e Barnabé, que tinham sido os responsáveis pela pregação da Boa Nova naquela localidade, discordavam desta postura e diziam que bastava somente aceitar a Jesus para poder obter a salvação. Segundo eles, não era necessário aos pagãos adotarem as práticas judaicas, bastava somente aceitar a salvação oferecida por Jesus, aderindo voluntariamente à sua proposta de vida.
(…)continua
Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra: