Domingo de Páscoa (Ano C)

Domingo da Páscoa – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 10,34a.37-43
  • Salmo – Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)
  • 2ª Leitura – Cl 3,1-4
  • Evangelho – Jo 20,1-9

Chegamos ao grande dia de todo Cristão! Dia da maior festa de toda a cristandade! O dia mais importante e alegre para todos aqueles que professam Cristo como o Senhor de suas vidas! A festa da Páscoa, a festa em que comemoramos a vitória da vida sobre a morte, através de ressurreição de Jesus!

Porém, nem sempre a Páscoa teve o significado que ela tem hoje. A Páscoa já era comemorada pelos judeus antes de Jesus. A Páscoa dos judeus tinha o significado de passagem. O termo hebraico utilizado para se referir à Páscoa é “Pessach” e tem o significado de “passagem” ou “travessia”. Na religião judaica a festa da Páscoa está relacionada à saída do povo judeu do Egito. Eles foram liderados por Moisés e atravessaram as águas do mar vermelho, em direção à terra prometida a eles por Deus, depois de mais de 400 anos de escravidão.

O termo “páscoa”, “passagem”, também está relacionado especificamente a uma das dez pragas enviadas por Deus à terra do Egito, após o Faraó ter se negado a libertar o povo de forma pacífica. Nessa praga, como é descrita no livro do Êxodo, o anjo exterminador de Deus “passou” pelo Egito levando consigo todos os primogênitos, inclusive o filho do Faraó. Entretanto, os judeus que marcaram as portas de suas casas com sangue de um cordeiro macho e sem defeito, conforme descrição do mesmo livro, foram poupados.

Já nós, Cristãos, reconhecemos em Jesus este cordeiro pascal. O cordeiro de Deus, sem pecado, que foi morto para nos salvar e nos libertar da escravidão do pecado. Jesus realizou a nova Páscoa, fazendo a passagem da morte para vida, três dias após ter sido morto na cruz.

A Páscoa do nosso tempo possui também alguns símbolos, que nós conhecemos pela prática, e que são oriundos de outras tradições. O coelho e o ovo são os melhores exemplos. O coelho é um animal de uma fertilidade muito grande. Isso, numa época em que a vida era muito difícil, trazia sempre uma esperança de multiplicação e renovação. O coelho era um dos primeiros animais a surgir no final dos invernos rigorosos, o que por sí só já era um símbolo de que o pior já havia passado. O ovo, por sua vez, sempre foi sinal de nova vida, de nascimento. Na antiguidade, era muito comum as pessoas se presentearem umas às outras com ovos cozidos e pintados, bem coloridos. Isso também acontecia quando se iniciava a primavera. Com o tempo, e como grande parte de nossas tradições são oriundas da cultura europeia, ambos os símbolos acabaram sendo incorporados à Páscoa pelos cristãos.

Infelizmente isso acabou tendo consequências graves para nós… Cada dia mais esses símbolos acabam ocupando um espaço maior na comemoração da Páscoa, com os interesses poderosos da indústria de chocolates e do comércio em geral, nossa cultura vai, aos poucos, afastando o real significado da Páscoa, que é a festa da Ressurreição de Cristo, e fazendo com que tenhamos apenas uma festa meramente comercial, quase pagã, onde celebramos apenas um evento de venda de comidas e chocolates. Se vocês prestarem atenção, pelo menos é assim nas grandes cidades, logo após o carnaval as grandes redes de varejo já começam a abarrotar suas lojas de ovos de páscoa. Ou seja, transformam a Quaresma, que deveria ser um período de maior recolhimento, de preparação espiritual, quase que num grande feirão onde o único sentido é aproveitarmos as melhores oportunidades para comprar chocolates para “celebrarmos” a Páscoa que se aproxima. Sinceramente, está nunca deve ser a nossa Páscoa.

Chocolate é uma delícia. Não tenho a menor dúvida disso. Mas chocolate tem o ano todo. Não faz sentido para um cristão transformar a maior festa da Igreja num evento onde a coisa mais importante é comprar e distribuir ovos de chocolates ou fazer, de um dia como a sexta-feira Santa, em que nossa igreja nos pede Jejum e abstinência, um dia para fazermos uma ceia regada a bacalhau e peixes (que, na verdade, nada mais são do um jeito que se arranjou para driblar a restrição ao consumo de carne vermelha).

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra:

www.youtube.com/voxcatolica