Domingo de Pentecostes (Ano C)

Solenidade do Pentecostes – Ano C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 2,1-11
  • Salmo – Sl 103, 1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)
  • 2ª Leitura – 1Cor 12,3b-7.12-13
  • Evangelho – Jo 20,19-23

Hoje celebramos o Domingo de Pentecostes. Neste dia, o tema central da nossa celebração é o Espírito Santo de Deus. O Espírito Santo é um dom que Deus oferece gratuitamente a todos aqueles que creem. O próprio Jesus nos garantiu isso, dizendo que Deus sempre concede o Espírito Santo a todos que pedirem a Ele. É um dom de Deus que dá vida, que transforma vidas, que renova vidas e que ajuda a construir a comunidade de Deus, através dos homens novos renascidos, justamente, por este mesmo Espírito Santo.

A festa de Pentecostes que celebramos hoje foi incorporada ao calendário cristão. No entanto, é uma festa de origem judaica, que já era celebrada muito antes do nascimento de Cristo. Ela tem origem numa festa judaica que era conhecida como Festa das Semanas. E esta Festa das Semanas, mais no passado ainda, era conhecida com Festa das Colheitas, uma festa onde eram oferecidos a Deus os primeiros frutos das colheitas. É muito provável que esta Festa das Colheitas seja originária das tradições dos povos cananeus, pois, afinal de contas, foi na terra de Canaã que o povo judeu foi habitar após o Êxodo do Egito e depois de passar 40 anos peregrinando pelo deserto. Então era natural que, com o passar do tempo, fossem incorporando determinadas datas festivas que eram celebradas, fazendo, no entanto, as adaptações necessárias de acordo com suas crenças e cultura.

Como nós já falamos algumas vezes, a cultura grega tinha grande predomínio nos tempos antigos e, de acordo com o seu crescimento, de acordo com a sua ascendência sobre o povo de Israel, essa Festa das Colheitas acabou ganhando o nome de Festa de Pentecostes. Pentecostes, que vem do grego e significa “quinquagésimo”, pode ser explicado como um período de 7 semanas (49 dias) mais um dia, para podermos ter 50 dias. Hoje, para nós cristãos, é uma festa celebrada 50 dias após a Páscoa, ou seja, 50 dias após a ressurreição de cristo.

E é no contexto desta festa que situamos a primeira leitura de hoje. A nossa narrativa se passa exatamente no dia de Pentecostes. Temos que ter em mente a intenção teológica com que Lucas escreve seu texto. Ele não está preocupado em narrar um fato de forma jornalística, não tem a intenção de fazer uma fotografia exata de acontecimentos ocorridos naquele dia. Nós devemos retirar do seu texto os ensinamentos que ele nos deixa através das imagens que nos são por ele apresentadas na sua narrativa.

Como vimos no início do nosso texto, a festa de Pentecostes era originariamente uma festa de características agrícolas. Depois, com a incorporação pelos Judeus em seu calendário festivo, ela passou a celebrar a aliança entre Deus e o Povo, formalizada pela Torá, o escrito que contém os 5 primeiros livros do Antigo Testamento, onde estão descritos todos os mandamentos e orientações que o povo judeu deveria observar. Ao redor da Torá, a obediência deste povo a uma mesma Lei pode caracterizar com tanta distinção a constituição do povo Judeu, que mesmo passando por tantas desventuras através de sua história, nunca perdeu seu vínculo, sua unidade, sua caracterização como um único povo.

Ao narrar o episódio da vinda do Espírito Santo justamente neste dia, no dia da Festa de Pentecostes, Lucas nos ensina que o Espírito Santo deverá ser a nova lei de Deus, a lei da Nova Aliança, da mesma forma que a Torá foi a lei da Antiga Aliança. Este Espírito é que deverá guiar seu povo através da história, de forma dinâmica. Será pelo Espírito Santo que a nova comunidade, que estava se formando, deverá ser movida e inspirada.

Monte Sinai
Vista do Monte Sinai

Depois, vemos a descrição da manifestação do Espírito Santo neste dia. Reparem, que essa descrição é feita através da presença de dois elementos, que são conhecidos como símbolos da revelação que Deus fez no Monte Sinai: a tempestade, um vento forte, e o fogo. Estes símbolos nos transmitem a maneira como Deus se comunica com os homens, são símbolos desta ação. Assim como no monte Sinai Deus se manifestou a Moisés através de trovões e das chamas que estavam sobre a montanha, Deus se manifesta agora ao povo através de um grande barulho vindo do céu, de uma forte ventania e, por fim, através de línguas de fogo que pousavam sobre os discípulos, como vimos no texto da leitura.

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra:

www.youtube.com/voxcatolica