Domingo de Ramos (Ano C)

Domingo de Ramos – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Is 50,4-7
  • Salmo – Sl 21,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a)
  • 2ª Leitura – Fl 2,6-11
  • Evangelho – Procissão – Lc 19,28-40
  • Evangelho – Lc 22,14-23,56

Hoje celebramos o Domingo de Ramos que marca a abertura da semana mais importante de todo Cristão: A Semana Santa. É a partir da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém que começam a se desenrolar todos os acontecimentos que culminaram em sua paixão e morte na Cruz. O Domingo de Ramos é narrado em todos os quatro Evangelhos. Nós encontramos referências a ele em Mateus, Marcos, Lucas e João. Neste episódio, Jesus é recepcionado em Jerusalém pelo povo, que prepara uma recepção, onde ele é reconhecido como Rei, conforme vimos na leitura de hoje, onde o povo proclama:

“Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!’

Os Ramos eram o símbolo do reconhecimento de que o povo via Jesus como o Messias, aquele que traria a Salvação para Israel. Em razão disso se desenvolveu nossa tradição Católica de usar os ramos nesta celebração, onde voltamos a proclamar que Jesus é o nosso Rei, o nosso Messias, o nosso Salvador. Os ramos simbolizam nossa aceitação do Reinado de Jesus sobre nós e mostram toda nossa devoção por Ele.

Domingo de Ramos

Apenas a título de curiosidade, não sei se vocês sabem, mas as cinzas utilizadas na celebração da quarta-feira de cinzas, que marca a abertura do tempo de Quaresma, são feitas através da queima dos ramos utilizados na celebração do Domingo de Ramos do ano anterior. Quando se deram esses acontecimentos, foram utilizados pelo povo ramos de oliveira. A oliveira, que produz a oliva, que nós conhecemos como azeitona, é uma árvore muito comum naquela região. Hoje, no Brasil, utilizamos principalmente os ramos de palmeira, já que não temos oliveiras espalhadas pelo nosso país.

Hoje nossa celebração tem uma peculiaridade. Temos dois evangelhos. Mas vou começar nossa conversa sobre as leituras pela primeira leitura e deixar para analisar os evangelhos em conjunto.

Na primeira leitura, retirada do livro do profeta Isaías, nós vemos a figura de um profeta, que não recebe nome no texto, mas que é chamado por Deus para ser sua testemunha no meio dos povos. Esse profeta é vítima de um sem número de provações e sofrimentos, mas se mantém fiel à sua missão dada por Deus. Essa missão que o profeta recebeu tem um caráter universal. Ela não é direcionada a um local específico e está diretamente ligada à proclamação da Palavra de Deus junto aos homens. Diz o profeta logo no início da leitura:

“O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido,para prestar atenção como um discípulo.”

Todo profeta é sempre um homem condicionado a proclamar a vontade de Deus no seu universo de atuação. Ele é um homem que se dispõe a que Deus possa falar através dele. Ele é aberto à escuta de Deus, não é resistente à vontade de Deus, mas é submisso a ela. É uma pessoa através da qual a voz de Deus se faz presente no mundo.

O profeta é também uma pessoa corajosa e insistente. Se proclamar a palavra de Deus no mundo fosse algo fácil e a aceitação das pessoas a respeito da vontade de Deus fosse algo natural, nosso mundo seria um local muito mais amoroso e justo. Mas, sabemos que na realidade não é assim que as coisas funcionam. As propostas tentadoras que o mundo nos oferece pouco ou nada se alinham com a vontade de Deus para nós e, assim, o profeta sempre encontra resistência à sua pregação. Muitas vezes sua vida é marcada pela perseguição, pela dor e pelo sofrimento. Não é uma missão tranquila. O autor do texto deixa esse sofrimento marcado de forma bem clara:

“Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.”

Por fim, a missão do profeta também é recompensada pela certeza de que Deus não o abandonará, ou seja, Deus nunca abandona aqueles que assumem a missão de levar sua Palavra, de proclamar seu plano de amor e justiça para nosso mundo. Diz o autor, no final da leitura:

“Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.”

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra:

www.youtube.com/voxcatolica