Solenidade da Ascensão do Senhor (Ano C)
Solenidade da Ascensão do Senhor – C
Leituras do Dia
- 1ª Leitura – At 1,1-11
- Salmo – Sl 46,2-3.6-7.8-9(R.6)
- 2ª Leitura – Ef 1,17-23
- Evangelho – Lc 24,46-53
Hoje celebramos a Solenidade da Ascensão do Senhor. Nesta festa, relembramos o evento que marcou a despedida de Jesus deste mundo. Ele, na presença dos seus apóstolos, é elevado ao Céu, quarenta dias depois da sua ressurreição.
É exatamente a narração deste evento que vamos ver na primeira leitura de hoje, que marca o início do Livro dos Atos dos Apóstolos. Quando leio esse trecho tenho sempre a impressão de que ainda estou lendo um trecho de algum Evangelho, pois temos a narração de um evento ainda com a presença de Jesus, com Ele se dirigindo diretamente àqueles que estavam do seu lado.
Hoje, praticamente, temos a mesma narração deste fato relatada tanto na primeira leitura, quanto no Evangelho, ainda mais se levarmos em consideração que ambos os livros dos quais foram retiradas as leituras de hoje foram escritos pelo mesmo autor, São Lucas.
Hoje
Hoje nós lemos os primeiros versículos do livro dos atos dos apóstolos. Este livro foi escrito por São Lucas, por volta do ano 80, mais ou menos uns 50 anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Se pararmos para analisar, tanto este livro, quanto o próprio Evangelho devem ter sido escritos destinados, originariamente, a mesma pessoa, um homem chamado Teófilo. Mais uma vez temos que nos atentar para o significado catequético que tem o nome. Teófilo, muito provavelmente, não era uma pessoa em particular. O nome Teófilo tem o significado de “Amigo de Deus”, pois ele é a junção de duas palavras, Teo, que significa Deus e Filo, que significa amigo. Dessa maneira, o destinatário destes livros são todos aqueles que são considerados amigos de Deus. É para essas pessoas que Lucas escreve os seus livros.
Neste pequeno trecho do livro, vemos marcados dois fatos importantes que podemos destacar. O primeiro é a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos. Jesus pede aos seus apóstolos que não se afastem de Jerusalém, pois é aí que eles receberão o batismo do Espírito Santo, que tinha sido prometido por João Batista, antes mesmo do início da vida pública de Jesus. Este trecho está narrado no versículo 11, do capítulo 3, do Evangelho de Mateus:
“Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.”
O segunda trecho, que é consequência deste primeiro, é quando Jesus diz aos seus discípulos qual deverá ser o destino da missão deles. Jesus diz: Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra.” E estas foram, as últimas palavras dirigidas por Jesus aos seus discípulos enquanto estava com eles na Terra. Com essas duas recomendações, Lucas quer nos mostrar que a atividade missionária dos discípulos e, consequentemente, a atividade missionária da Igreja que iria se formar, é uma ordem direta dada pelo próprio Jesus, não é algo inventado pelas pessoas, mas foi algo falado diretamente por Jesus a eles, assim como foram dadas tantas e tantas instruções durante os três anos em que eles conviveram com o Mestre e que estão relatadas nos Evangelhos.
Além disso, além desse característica objetiva da missão, Jesus garante aos discípulos que o Espírito Santo de Deus, aquele mesmo paráclito que já havia sido prometido, como vimos no Evangelho do domingo passado, aquele que ficaria ao lado deles, depois que Jesus partisse fisicamente deste mundo, relembrando todas as instruções que haviam sido dadas por Ele, inspirando os discípulos todas as vezes em que eles devessem dar testemunho de Jesus perante as pessoas, este mesmo Espírito Santo de Deus desceria sobre eles e iria acompanhá-los durante todo o trajeto, durante toda a realização dessa atividade missionária que estava sendo ordenada por Jesus.

Mais à frente, no texto da leitura, vemos mais uma vez a menção à nuvem. Como já vimos em outros domingos, a nuvem é o símbolo da presença oculta e manifesta de Deus. Seria como a manifestação visível da Glória de Deus que não podemos ver, que não podemos contemplar nesse mundo. Por diversas vezes vemos no Antigo Testamento a menção que é feita à presença da nuvem, quando o autor do texto se refere à presença de Deus. Talvez a mais marcante delas seja a da nuvem que acompanhava o povo através do deserto após o Êxodo do Egito.
(…)continua
Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra: