10º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

10º Domingo Do Tempo Comum  – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – 1Rs 17,17-24
  • Salmo – Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a.4b)
  • 2ª Leitura – Gl 1,11-19
  • Evangelho – Lc 7,11-17

Hoje celebramos o 10º domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje nos fala do poder de Deus e de sua misericórdia. Veremos essa temática principalmente na primeira leitura e no evangelho.

Na primeira leitura, vemos um trecho retirado do Primeiro Livro dos Reis. Estamos no tempo do profeta Elias, que havia anunciado ao Rei Acabe uma grande seca que se instalaria naquela região. No contexto destes acontecimentos, o profeta Elias pediu abrigo na casa de uma viúva, na cidade de Sarepta, que lhe disse quando o encontrou e este lhe pediu moradia, que já não tinha provisões para sobreviver junto com seu filho, mas com fé na palavra do profeta, que lhe disse que sua farinha e seu azeita não diminuiriam, embora ela tivesse tão pouco, até que as chuvas voltassem por ordem do Senhor Deus, ela o recebeu.

Passado algum tempo, seu filho caiu doente. E ela, achando que tudo aquilo acontecia por causa da presença do profeta, uma vez que havia entendido que aquele mal que se abatia sobre seu filho era consequência da ira de Deus que havia tomado conta da região, já que não chovia fazia muito tempo, se irou contra Elias.

Elias, por sua vez, leva a criança, que já se encontrava sem vida, para o quarto onde vivia, e clama a Deus por ela. Esta oração de Elias não mostra nenhuma revolta contra Deus, mas demonstra a imensa compaixão que ele sentiu por aquela mulher que o acolhera. Elias derrama, então, todo o seu amor, toda a sua compaixão, naquela oração que ele dirige a Deus, pedindo que fosse restituída a vida da criança. E Deus atende ao pedido de Elias, devolvendo a vida à criança.

Este episódio nos narra um dos milagres atribuídos ao profeta Elias. Devemos compreender esta narração no contexto da disputa religiosa em que viviam os cananeus, adeptos do deus Baal, a quem eles atribuíam toda a vida e fertilidade, tanto da terra, dos animais, quanto das famílias, que são confrontados agora com o poder de Javé, anunciado pelo Profeta Elias. Portanto, a seca profetizada por Elias anunciava para aquele povo que, embora Baal fosse considerado o senhor da fertilidade e da vida, não tinha poder para revogar o decreto de Javé que fez cessar as chuvas na região, anunciado por Elias, perdendo, por consequência, as atribuições que lhes eram atribuídas pelos cananeus.

Portanto, o milagre de Elias, a começar pelo episódio da multiplicação da farinha e do azeite, que nunca faltaram na casa da viúva que o acolheu, mostra que o poder de Deus era muito maior que o de Baal, mesmo dentro de seu próprio país e, ainda, ao contrário de Baal, era exercido mesmo sem que as condições da natureza lhe favorecessem. Ou seja, era um poder verdadeiro.

Plantação
Créditos da imagem: freepik.com (wirestock)

Outra conclusão a que podemos chegar do relato deste trecho é que o ensinamento que o autor quer nos passar é que a vida vem sempre de Deus. O milagre de Elias, que através de sua oração, restitui a vida do filho daquela viúva, juntamente com o milagre da farinha e do azeite que nunca terminaram durante o período de seca, mostra perante aquela nação, que Javé é o senhor da vida e da fertilidade. O próprio nome do profeta diz isso. Elias significa “Javé é o meu Deus”.

Também vemos que a misericórdia de Deus não se restringe ao povo de Israel. Nesta história vemos Deus atuando poderosamente na vida de uma viúva pertencente a um povo estrangeiro, habitante da Fenícia. A viúva de Sarepta era, portanto, uma mulher estrangeira, que confessa a fé em Elias como “homem de Deus”, “porta-voz de Deus”. Este trecho está no finalzinho da leitura de hoje, quando a viúva diz: “’Agora vejo que és um homem de Deus, e que a palavra do Senhor é verdadeira em tua boca”. Em outro relato, constante do Segundo Livro dos Reis,  veremos o Sírio Naamã, que foi curado de lepra pelo profeta Eliseu, sucessor de Elias, que também reconhecerá em Javé o Deus verdadeiro. Esses dois relatos serão, ainda, mencionados por Jesus com exemplos de pessoas estrangeiras, que embora não sejam representantes do povo eleito, do povo ao qual o Messias haveria de se manifestar, acolheram a fé no Deus verdadeiro, reconhecendo seu poder e sua divindade, quando Deus se manifestou ao povo através de seus enviados.

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra:

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