13º Domingo do Tempo Comum (Ano C)


13º Domingo do Tempo Comum – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – 1Rs 19,16b.19-21
  • Salmo – Sl 15,1-2a.5.7-8.9-10.11(R. 5a)
  • 2ª Leitura – Gl 5,1.13-18
  • Evangelho – Lc 9,51-62

–  A liturgia de hoje nos fala que Deus conta conosco para agirmos no mundo. Ele poderia agir sozinho, mas optou por contar com a nossa ajuda, de maneira que sejamos verdadeiras testemunhas a serviço do seu Reino. Ele conta com a gente para nos tornarmos um instrumento de transformação das pessoas, instrumentos de conversão. Ele espera que sejamos pessoas engajadas no seu projeto, para que possamos propagar a salvação que Ele, gratuitamente, oferece a todos!

A primeira leitura já começa nos mostrando bem esta questão. Ela nos mostra que Deus, embora seja o Senhor de toda a criação, o Senhor de toda a história, conta com a ajuda dos homens para atuar nesta mesma história, da qual, Ele próprio, é o criador. Deus, o criador, quer envolver o homem, sua criatura, no projeto que tem para o mundo que criou. Vemos Eliseu, que era discípulo de Elias, um grande profeta. Eliseu escuta o chamamento que Deus faz a Ele através de Elias. Dessa maneira ela faz uma ruptura com tudo o que o prendia, com tudo o que envolvia sua vida, e parte com alegria e de forma generosa ao encontro dos planos que Deus tinha para Ele.

Este trecho que vemos na primeira leitura é retirado do Primeiro Livro dos Reis, por volta do século IX a.c.. Era uma época em que existia um reinado dividido em duas partes O Reino do Norte, que era conhecido como Reino de Israel e que correspondia a onze, das doze tribos de Israel e o Reino do Sul, que era composto somente pela tribo de Judá, mas que ainda manteve Jerusalém como sua capital. Os profetas Elias e Eliseu, que são mencionados na leitura, exerceram seu ministério no chamado reino do norte. Elias durante os reinados dos reis Acab e Ocozias e Eliseu, no tempo dos reis Jorão e Jehú. Nesse período, a fé judaica foi colocada muito à prova, por causa da grande influência que a cultura do povo judeu sofreu em virtude dos deuses estrangeiros.

Esta leitura nos propõe uma reflexão sobre o chamamento que Deus faz ao homem e a resposta que pelo homem é dada a Deus. O autor quer nos situar bem no contexto em que o profeta Eliseu recebeu seu chamamento. Ele estava na sua vida normal, cuidando de sua terra, com suas juntas de bois, quando Elias se encontra com ele e faz o convite para que ele se torne profeta. Reparem, que o profeta não é um sujeito que aparece de forma magnífica, no meio de uma explosão ou flutuando pelas ruas, provocando um grande rebuliço no nosso mundo. O profeta é um ser humano normal, como qualquer um de nós, que tem uma vida normal, que desempenha cotidianamente tarefas que um ser humano comum desempenharia. Deus vai ao encontro destas pessoas normais o tempo todo, falando a elas dentro de sua realidade, dentro de sua normalidade cotidiana, e lhes apresentando uma proposta de vida, um desafio. E o profeta aceita essa proposta, aceita esse desafio.

No nosso texto, o simbolismo apresentado nos mostra que Elias lança sobre Eliseu o seu manto. Isso, na cultura judaica representava como que um ato, através do qual, através daquela sua roupa, um objeto de uso pessoal do profeta, era transmitido para aquele que estava recebendo o manto, este objeto pessoal, no caso para Eliseu, o mesmo poder profético que pertencia originalmente ao doador, no caso, ao profeta Elias.

Abraham-Bloemaert-Elias-e-Eliseu
Pintura de Abraham Bloemaert: Elias e Eliseu

E qual foi a resposta de Eliseu a esse chamamento? Ele imediatamente imola uma das juntas de boi, usa o arado para acender uma fogueira, assa a carne dos bois e faz uma refeição junto com sua família, como que num ato de celebração para aquela designação que ele havia recebido. Depois disso, segue Elias em sua nova missão, ficando ao seu serviço. Eliseu abandonou sua vida antiga, numa adesão radical ao projeto de Deus que lhe foi apresentado. Eliseu, um homem comum, com uma vida comum, foi receptivo à voz de Deus, ao chamamento de Deus, que lhe chegou através de Elias.

A história da salvação não é a história de um Deus barulhento, que se impõe nesse mundo através da força, da dominação, da imposição sobre suas criaturas. A história da salvação é uma história muitas vezes silenciosa, por meio da qual Deus se manifesta à humanidade com muita discrição.

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa “Conversando sobre a Palavra” na íntegra:

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