18º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

18º Domingo Do Tempo Comum – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Eclo 1,2; 2,21-23
  • Salmo – Sl 89,3-4.5-6.12-13.14.17 (R.1)
  • 2ª Leitura – Cl 3,1-5.9-11
  • Evangelho – Lc 12,13-21

Hoje celebramos o 18º Domingo do Tempo Comum e a liturgia deste domingo nos coloca diante de algumas perguntas que devemos refletir bastante para poder responder. O que é ser rico diante de Deus? Que riquezas deposito em meu tesouro interior? Em quais bens eu coloco a minha confiança? Com qual objetivo eu realizo os meus maiores esforços neste mundo? Essa são perguntas que as leituras de hoje vão tentar nos ajudar a responder.

tesouro

A primeira leitura de hoje é retirada do Livro de Eclesiastes. Este livro é um dos chamados livros sapienciais do Antigo Testamento e foi escrito por volta do século III a.C.. Não temos indicação de quem seja realmente o autor do livro, que conhecemos apenas como “Eclesiastes”, que é a denominação que é dada a pessoa que narra livro. Esse termo vem da tradução grega da Bíblia e tem o significado de “aquele que se senta ou que fala na assembleia”. A “assembleia”, por sua vez, era conhecida pelo termo “ekklesia”, e vem daí o nome desta pessoa que se coloca como narrador principal deste livro.

Este livro é como um caderno de anotações de um sábio de Israel, muito questionador. Ele escreve tudo num tom muito enigmático, polêmico e até mesmo pessimista, colocando em discussão muitas certezas, muitos dogmas que eram consolidados em Israel. O autor do livro se dedica a atacar os leitores com perguntas inquietantes. O que é o homem e para que ele serve? Para onde vai depois da morte? Para que servem as riquezas acumuladas e, até mesmo, o saber adquirido durante sua vida, se tudo isso se perde após a sua morte? Ele nos diz que tudo isso é um vento que passa e que não sobra nada para o homem após a sua partida…. a preocupação principal do autor do livro é levantar questionamentos, para os quais ele não se preocupa em oferecer respostas…

A grande lição que podemos tirar da leitura deste livro é que o homem é incapaz, por si só, de encontrar um sentido ou uma saída aceitável para a sua vida. O pessimismo do autor nos faz reconhecer que uma vida voltada apenas para nós próprios, para nosso enriquecimento e engrandecimento pessoal, uma vida voltada somente para si, não tem o menor sentido. O livro nos força a concluir que o ser humano, para poder encontrar minimamente um sentido para sua vida, deve olhar mais além, deve olhar para fora de si próprio, mas, no entanto o autor não nos fornece uma resposta. Ele deixa em aberto os questionamentos, para que os leitores façam as suas reflexões. Este livro, não é um livro de respostas. Seu objetivo foi denunciar que a sabedoria tradicional do povo, as coisas que eram as mais valorizadas por todos, eram todas inúteis no final da vida.

O trecho particular que vemos hoje na primeira leitura, nos transmite a inutilidade do esforço do trabalho humano, tendo em vista que no final da vida, estes esforços não terão servido a ele para nada, que não adianta nos trabalharmos muito, nos esforçarmos muito se, no final da vida ,deixaremos tudo para outras pessoas, que em nada colaboraram com o trabalho. E o autor, o Eclesiastes, vai resumindo todas as frustrações que narra no livro, com a expressão: “Vaidade, tudo é vaidade”. Embora o livro não apresente resposta para tantos raciocínios e perguntas em tom tão pessimista, para nós, que temos a fé em Deus e no Evangelho de Jesus, uma resposta pode ser dada. Só em Deus e baseados nos ensinamentos e nas promessas feitas por Jesus, poderemos encontrar sentido e razão para nossas vidas, poderemos preencher nossa existência de uma maneira que nos leve a buscar semear o nosso interior com os valores do Reino de Deus, que nos garantirão, um dia, uma vida em plenitude ao lado de Jesus, conforme Ele nos prometeu.

Que fique bem claro para nós que as conclusões a que chega o autor do livro, assim como as conclusões de muitos filósofos modernos que refletem sobre o sentido da vida e chegam à conclusão sobre a sua insignificância, sobre a sua frivolidade, sobre a inutilidade da busca da felicidade, podem ser confrontadas por todas aqueles que possuem a fé em Deus viva em seus corações. Para quem crê em Deus, para quem crê em Jesus, a vida não termina neste mundo. Embora nossa caminhada neste mundo possa estar repleta de frustrações, aborrecimentos, desilusões, nós sabemos que esta existência é só um caminho que estamos percorrendo, orientados por Deus, por Jesus e seu Evangelho, rumo ao destino final, rumo à nossa existência plena e definitiva, rumo ao verdadeiro sentido da nossa existência.

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa “Conversando sobre a Palavra” na íntegra:

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