Um momento de oração
15º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

15º Domingo Do Tempo Comum – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Dt 30,10-14
  • Salmo – Sl 68,14.17.30-31.33-34.36ab.37 (R.cf.33)
  • 1ª Leitura – Cl 1,15-20
  • Evangelho – Lc 10,25-37

Hoje celebramos o 15º Domingo do Tempo Comum e a liturgia de hoje tem como tema central os caminhos que devemos percorrer para alcançarmos a vida eterna. Segundo os textos que vemos hoje, é no amor a Deus e no amor ao próximo que este caminho pode ser encontrado, que pode ser encontrada uma vida vivida em plenitude.

A primeira leitura de hoje é retirada do Livro do Deuteronômio. Este livro é apresentado a nós como uma série de discursos colocados na boca de Moisés. Esses discursos foram pensados por teólogos da época e são frutos de uma profunda reflexão, que quer lembrar ao povo de Israel os compromissos que foram assumidos e que fazem parte da aliança entre Deus e o seu povo. O texto que lemos hoje é uma parte do terceiro discurso de Moisés, discurso esse que tem por objetivo alertar o povo sobre as consequências de escolherem entre a fidelidade e a infidelidade a esta mesma aliança.

O tema central do texto é um convite para que o povo faça uma adesão concreta e sincera às propostas de Deus, aos seus mandamentos. Na cabeça daquele povo, havia sempre a dúvida de como saber qual seria a vontade de Deus, de saber o que Deus realmente queria deles, de como eles poderiam executar a vontade de Deus e não mais serem conduzidos a um outro período de escravidão, como aquela que eles acabaram de ter vivido no Egito. Para o autor do nosso texto, essa não era uma missão muito difícil, não era algo que pudesse ser considerado inacessível. O autor menciona que não era necessário subir ao céu, nem atravessar o mar para que se pudesse ter discernimento e capacidade de se compreender e executar verdadeiramente a vontade de Deus. Mas ele diz que o caminho proposto a nós por Deus não é um caminho misterioso, inacessível ou disponível apenas para pessoas mais iluminadas. Pelo contrário, é um caminho que pode ser encontrado gravado no coração e na consciência das pessoas.

Ou seja, a mensagem que o autor quer transmitir às pessoas é que para alcançar o cumprimento da vontade de Deus e de seu projeto de salvação, felicidade e liberdade para os homens, é preciso olhar somente para o interior de nosso coração, e para o fundo de nossa consciência. É no coração e na consciência das pessoas que Deus fala profundamente. É aí, nesse local silencioso que somente nós temos acesso, que podemos escutar vivamente a Sua voz nos dizendo o tempo todo o que devemos fazer e como devemos proceder. Mas para isso é preciso que estejamos disponíveis e atentos para, no meio de tanta agitação e de tantos estímulos que o mundo moderno nos proporciona, sermos sensíveis para perceber Sua voz no meio de tantos barulhos, no meio de tantas outras vozes.

E esse convite, que hoje Deus nos faz, deve nos levar ao questionamento sobre a qualidade da adesão que dizemos que temos junto a Ele. Não pode ser uma meia-adesão, uma adesão somente em determinadas horas do dia ou em determinadas situações. Não pode ser uma adesão que é classificada de acordo com os nossos interesses pessoais, de acordo com nossos interesses momentâneos. Tem que ser uma adesão completa, firme e verdadeira. É claro que podemos falhar, e certamente falharemos, em alguns momentos. Mas isso é consequência da nossa fraqueza, consequência da nossa humanidade. Em nosso favor, temos sempre um Deus misericordioso, um Pai, que está sempre disposto a nos dar a mão, a nos ajudar a levantar quando falharmos, a nos mostrar novamente qual o caminho certo que devemos seguir, exatamente como um Pai, que ama seu filho, sempre faz. Deus compreende as nossas fraquezas, como um Pai conhece as limitações de um filho e está sempre disposto caminhar ao nosso lado, nos amparando para que, a cada dia, as falhas sejam menores, os erros sejam menores e a caminhada se torne mais leve, mais tranquila, mais serena. Tudo isso faz parte de um processo, que dura toda uma vida e que deve ser baseado numa relação de sinceridade e confiança entre nós e Deus. Mas lembremos sempre que a relação só pode ser quebrada da nossa parte, nunca da parte de Deus.

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa “Conversando sobre a Palavra” na íntegra:

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Profeta Isaías, pintura de Antonio Balestra
14º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

14º Domingo Do Tempo Comum  – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Is 66,10-14c
  • Salmo – Sl 65,1-3a.4-5.6-7a.16.20 (R.1)
  • 2ª Leitura – Gl 6,14-18
  • Evangelho – Lc 10,1-12.17-20

Chegamos ao 14º Domingo doTempo Comum. Hoje vemos as leituras com temáticas diversas, um pouco difíceis de fazermos uma ligação entre elas, mas igualmente ricas e das quais sempre podemos tirar muitos ensinamentos para nosso crescimento como cristãos.

Na primeira leitura, vemos um trecho retirado do livro do profeta Isaías. Nesse trecho, vemos um relato de um profeta anônimo que é enviado por Deus para proclamar um amor de Pai e também de Mãe, que Deus tem pelos seus filhos. É bom sempre lembrarmos, conforme já vimos outras vezes, que um profeta é sempre alguém que aceita o chamado de Deus para realizar sua vontade, uma pessoa comum, mas ao mesmo tempo uma pessoa especial.

Os capítulos 56 até 66 do Livro do Profeta Isaías nos situam por volta final do século VI e começo do século V antes de Cristo. Era a época do regresso do exílio da Babilônia , e Jerusalém estava sendo reconstruída a passos bem lentos, porque grande parte de sua população vivia em condições de miséria. E, neste cenário, acabamos tendo uma consequência inevitável… um povo enfraquecido é sempre um bom alvo para ataques de povos mais fortes. E era exatamente isso que acontecia…. toda essa reconstrução não conseguia progredir de maneira satisfatória, porque Jerusalém estava sempre às voltas com embates com inimigos próximos…. isso dificultava a reconstrução da cidade e deixava o povo se perguntando “quando é que Deus vai realizar as promessas que fez enquanto ainda estávamos no exílio?”

Capena Sistina, Profeta Isaías, por Michelângelo.
Capela Sistina, Profeta Isaías, por Michelângelo.

É exatamente neste contexto que podemos situar nossa primeira leitura de hoje. O objetivo da mensagem deste profeta é consolar e reanimar este povo tão sofrido, que está perdendo as esperanças em relação ao cumprimento das promessas feitas por Deus. Então, para poder transmitir essa mensagem, ele coloca Jerusalém como uma mãe, que dá à luz um filho, que é simbolizado pelo povo de Israel. Ele também diz que essa mãe o alimenta com leite abundante. Reparem que o profeta utiliza a expressão “sugar e saciar-vos ao seio de sua consolação, e aleitar-vos e deliciar-vos aos úberes de sua glória.” Isto dá ao texto a sensação de riqueza, de vida em abundância, de fartura, de plenitude, que são as experiências que um bebê tem junto ao colo de sua mãe.

O profeta tem a consciência de que é Deus que está por trás de toda esta fartura, de toda esta abundância, e que será Ele a proporcionar à mãe, Jerusalém, todas as condições de fornecer a seus filhos, o povo de Israel, esta vida em plenitude. O profeta ainda menciona que o próprio Deus fará correr para Jerusalém a paz, como se fosse um rio. E essa paz, “shalom” em hebraico, quer exprimir muito mais que apenas a ausência de guerra, mas também um tempo em que o povo possa gozar de saúde, de prosperidade e de uma relação de amizade mais próxima com Deus. Ou seja, essa paz simboliza um tempo de felicidade total, de realização plena para este povo tão sofrido.

Nós temos que ter bem claro em nossas mentes, que todas as pessoas que dizem crer sinceramente em Deus, também tem que assumir em suas vidas um quinhão de profeta, tem que ser pessoas que professem, em palavras e, muito mais ainda, em suas atitudes, a mensagem libertadora e consoladora de Deus para o seu povo. É através das pessoas que são abertas a Ele, que Deus atua no mundo. Será que nós assumimos na nossa vida diária esta missão profética que nos foi confiada? Será que testemunhamos a fé e a esperança para nossos irmãos através de nossa vida? Será que nosso discurso é afinado com nossas atitudes no mundo real?

Deus é sempre um pai que proporciona vida, e vida em abundância. Mas também é uma mãe que acaricia os filhos em seu colo, como vimos na nossa leitura. Será que é assim que nós enxergamos esse Deus no qual dizemos que cremos? Será que conseguimos enxergar os gestos de amor de Deus para nós nos pequenos acontecimentos do nosso cotidiano? Será que estamos atentos para ver os sinais de amor que Deus nos demonstra o tempo todo? E, além disso, ainda que consigamos perceber estes sinais e estejamos atentos a eles, será que nós manifestamos nossa gratidão a Ele por tudo isso, será que conseguimos silenciar o nosso coração e paramos para agradecer?

(…)continua

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Giuseppe Angeli - Elias na carruagem de fogo
13º Domingo do Tempo Comum (Ano C)


13º Domingo do Tempo Comum – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – 1Rs 19,16b.19-21
  • Salmo – Sl 15,1-2a.5.7-8.9-10.11(R. 5a)
  • 2ª Leitura – Gl 5,1.13-18
  • Evangelho – Lc 9,51-62

–  A liturgia de hoje nos fala que Deus conta conosco para agirmos no mundo. Ele poderia agir sozinho, mas optou por contar com a nossa ajuda, de maneira que sejamos verdadeiras testemunhas a serviço do seu Reino. Ele conta com a gente para nos tornarmos um instrumento de transformação das pessoas, instrumentos de conversão. Ele espera que sejamos pessoas engajadas no seu projeto, para que possamos propagar a salvação que Ele, gratuitamente, oferece a todos!

A primeira leitura já começa nos mostrando bem esta questão. Ela nos mostra que Deus, embora seja o Senhor de toda a criação, o Senhor de toda a história, conta com a ajuda dos homens para atuar nesta mesma história, da qual, Ele próprio, é o criador. Deus, o criador, quer envolver o homem, sua criatura, no projeto que tem para o mundo que criou. Vemos Eliseu, que era discípulo de Elias, um grande profeta. Eliseu escuta o chamamento que Deus faz a Ele através de Elias. Dessa maneira ela faz uma ruptura com tudo o que o prendia, com tudo o que envolvia sua vida, e parte com alegria e de forma generosa ao encontro dos planos que Deus tinha para Ele.

Este trecho que vemos na primeira leitura é retirado do Primeiro Livro dos Reis, por volta do século IX a.c.. Era uma época em que existia um reinado dividido em duas partes O Reino do Norte, que era conhecido como Reino de Israel e que correspondia a onze, das doze tribos de Israel e o Reino do Sul, que era composto somente pela tribo de Judá, mas que ainda manteve Jerusalém como sua capital. Os profetas Elias e Eliseu, que são mencionados na leitura, exerceram seu ministério no chamado reino do norte. Elias durante os reinados dos reis Acab e Ocozias e Eliseu, no tempo dos reis Jorão e Jehú. Nesse período, a fé judaica foi colocada muito à prova, por causa da grande influência que a cultura do povo judeu sofreu em virtude dos deuses estrangeiros.

Esta leitura nos propõe uma reflexão sobre o chamamento que Deus faz ao homem e a resposta que pelo homem é dada a Deus. O autor quer nos situar bem no contexto em que o profeta Eliseu recebeu seu chamamento. Ele estava na sua vida normal, cuidando de sua terra, com suas juntas de bois, quando Elias se encontra com ele e faz o convite para que ele se torne profeta. Reparem, que o profeta não é um sujeito que aparece de forma magnífica, no meio de uma explosão ou flutuando pelas ruas, provocando um grande rebuliço no nosso mundo. O profeta é um ser humano normal, como qualquer um de nós, que tem uma vida normal, que desempenha cotidianamente tarefas que um ser humano comum desempenharia. Deus vai ao encontro destas pessoas normais o tempo todo, falando a elas dentro de sua realidade, dentro de sua normalidade cotidiana, e lhes apresentando uma proposta de vida, um desafio. E o profeta aceita essa proposta, aceita esse desafio.

No nosso texto, o simbolismo apresentado nos mostra que Elias lança sobre Eliseu o seu manto. Isso, na cultura judaica representava como que um ato, através do qual, através daquela sua roupa, um objeto de uso pessoal do profeta, era transmitido para aquele que estava recebendo o manto, este objeto pessoal, no caso para Eliseu, o mesmo poder profético que pertencia originalmente ao doador, no caso, ao profeta Elias.

Abraham-Bloemaert-Elias-e-Eliseu
Pintura de Abraham Bloemaert: Elias e Eliseu

E qual foi a resposta de Eliseu a esse chamamento? Ele imediatamente imola uma das juntas de boi, usa o arado para acender uma fogueira, assa a carne dos bois e faz uma refeição junto com sua família, como que num ato de celebração para aquela designação que ele havia recebido. Depois disso, segue Elias em sua nova missão, ficando ao seu serviço. Eliseu abandonou sua vida antiga, numa adesão radical ao projeto de Deus que lhe foi apresentado. Eliseu, um homem comum, com uma vida comum, foi receptivo à voz de Deus, ao chamamento de Deus, que lhe chegou através de Elias.

A história da salvação não é a história de um Deus barulhento, que se impõe nesse mundo através da força, da dominação, da imposição sobre suas criaturas. A história da salvação é uma história muitas vezes silenciosa, por meio da qual Deus se manifesta à humanidade com muita discrição.

(…)continua

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Profeta Zacarias (Capena Sistina, por Michelangelo)
12º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

12º Domingo Do Tempo Comum – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Zc 12,10-11;13,1
  • Salmo – Sl 62,2.abcd.2e-4.5-6.8-9 (R. 2ce)
  • 2ª Leitura – Gl 3,26-29
  • Evangelho – Lc 9,18-24

Hoje celebramos o 12º Domingo do Tempo Comum e a liturgia de hoje nos chama atenção e nos questiona para que possamos responder a algumas perguntas: Quem é Jesus nas nossas vidas? O que Ele realmente representa para nós? Será que através de seu Evangelho, nós conseguimos ver Nele o Messias? São questionamentos que devemos nos fazer, para sabermos como anda de verdade nosso relacionamento com Ele.

Jesus, Pintura de Warner Sallman-1941
Jesus, Pintura de Warner Sallman-1941

Na primeira leitura de hoje, vemos um trecho retirado do Livro do Profeta Zacarias. O texto que nos é apresentado hoje data, segundo grande parte dos estudiosos, de um período compreendido entre o final do século IV e século III a.C., e faz parte de um contexto que revelava a expectativa de vinda de um Messias pelo povo de Israel. É um trecho do livro que faz referência à Salvação e à glória futura a ser experimentada por Jerusalém.

O começo do anúncio do Profeta faz referência a uma época em que as pessoas demonstrarão uma maior abertura para Deus. Um tempo em que estarão mais receptivas, onde seus ouvidos e suas vidas estarão mais atentos a Deus. Esse tempo será marcado pelo derramamento de um espírito de piedade sobre o povo, que voltará suas súplicas, pela casa de David e por Jerusalém, para Deus, o que provocará essa transformação interior das pessoas, que viverão mais próximas de um relacionamento verdadeiro com Deus.

Zacarias também menciona um profeta que estará junto com o povo nesse momento. Ele faz referência a ele como uma pessoa que será ferida de morte e sua morte gerará grande tristeza nas pessoas, como a morte de um filho único.

A quem o profeta está se referindo? Muitos estudiosos, identificam esse profeta, que é mencionado por Zacarias, com o Rei Josias, que foi um governante de Israel, cuja história vemos narrada no segundo livro dos Reis, outros ainda com um Sacerdote chamado Onias ou com um homem chamado Simão Macabeu, estes dois últimos têm suas histórias contadas para nós nos dois livros dos Macabeus. Ou, ainda, pode ser que se trate de um profeta cujo nome não chegou até nós…. o que realmente nós podemos concluir é que ele está se referindo a uma pessoa inocente que foi martirizada por culpa do povo. No entanto, o sacrifício deste mártir, desse profeta, não foi em vão, pois, através dele, se iniciou um tempo de transformação no coração dos habitantes de Jerusalém.

É interessante nós observarmos que a menção feita a Davi, quando o profeta diz o Espírito de graça e de oração será derramado sobre os habitantes de Jerusalém, dá ao texto referências realmente messiânicas, ou seja, faz lembrar ao povo sobre a promessa feita por Deus do envio de um salvador, de um redentor, de um libertador. O Evangelista João, em seu texto, fará a associação deste personagem narrado na leitura de hoje ao próprio Jesus, ferido e morto na cruz. Vemos isso narrado no versículo 37, do capítulo 19 de seu evangelho, quando ele diz, logo após a morte de Jesus: “Olharão para aquele que transpassaram”, fazendo referência justamente a este trecho que lemos hoje.

Independente de tudo, a figura do transpassado nos lembrará sempre a figura de todos os profetas de Deus, durante todos os tempos. Pessoas que vieram, no passado, e vêm, também nos dias de hoje, trazer a mensagem de Deus, pessoas que lutam o tempo todo por um mundo mais justo, mais igual, onde a verdade possa sempre se sobrepor, onde as formas de opressão sejam derrotas, fazendo que o jugo que pesa sobre o povo se torne mais leve, mas que sempre são pessoas perseguidas, porque incomodam, porque o seu testemunho incomoda aqueles que são os responsáveis por tudo aquilo que o profeta denuncia.

Nós também fomos constituídos profetas através de nossa adesão a Jesus pelo Batismo e devemos, através de nosso testemunho, através de nosso exemplo de vida, cumprir, dentro daquilo que nos cabe, nossa missão de profetas neste mundo. Se aderimos a Jesus, temos que aderir por inteiro. Não existe meia adesão. Temos que nos comprometer integralmente com aquilo que o evangelho de Jesus nos indica como nossa tarefa. E como podemos fazer isso? Tentando aplicar os ensinamentos de Jesus nos eventos comuns, cotidianos das nossas vidas. Decidindo, nas pequenos coisas, nas coisas mais ordinárias que fazemos todos os dias, conforme um verdadeiro discípulo de Jesus. Sendo sempre fiéis ao que Jesus nos ensinou nas mínimas coisas.

(…)continua

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Doação e oração
11º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

11º Domingo Do Tempo Comum – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – 2Sm 12,7-10.13
  • Salmo – Sl 31,1-2.5.7.11 (R. cf 5ad)
  • 2ª Leitura – Gl 2,16.19-21
  • Evangelho – Lc 7,36-8,3

Hoje celebramos o 11º domingo do Tempo Comum e o tema central da nossa liturgia nos apresenta um Deus de bondade e de misericórdia, que não se compraz com o pecado, mas que ama o pecador. Deus está sempre disposto a nos perdoar e a perpetuar sua proposta de salvação para nós. Basta que, para isso, voltemos nosso coração a Ele com sinceridade. Quando descobrimos esta riqueza de amor e misericórdia que está presente em Deus, nasce em nós uma vontade de vivermos uma vida nova, de maneira mais próxima Dele.

Pintura de Rembrandt, "Davi e Urias"
Pintura de Rembrandt, “Davi e Urias”

Na primeira leitura de hoje, temos um trecho retirado do Segundo Livro de Samuel, onde vemos um pequeno recorte da história do Rei David, que nos é apresentado como um homem pecador, que desagradou a Deus, embora por Ele tivesse sido favorecido. Deus, apesar de já ter expressado seu amor por David, não compactua com o pecado que ele comete, acobertando suas faltas, fingindo que não vê seu pecado, mas, por outro lado, também não abandona David, mas oferece a ele a oportunidade de reconhecer seus erros e, por consequência, também aceitar que Sua misericórdia seja abundante em sua vida.

O Livro de Samuel é dividido em duas partes. Temos o primeiro e o segundo livros de Samuel. Ele nos conta a história da monarquia em Israel. Este livro não foi escrito por historiadores, que tinham a intenção de fazer um relato histórico sobre estes governantes, mas foi um livro escrito com intenção teológica, com a intenção de transmitir uma catequese a seus leitores, focada em passar a história dos reis de Israel à luz da fé daquele mesmo povo. O livro não tem a intenção de fazer um relato rígido sobre os acontecimentos históricos, embora eles sejam refletidos nele, mas a intenção principal é fazer as pessoas entenderem a forma de atuação de Deus nestes mesmos acontecimentos.

O texto que vemos hoje nos coloca em Jerusalém, nos primeiros anos do século X a. C., quando a capital do Reino de Israel, que já havia sido unificado (não existiam mais os reinos do norte e do sul), já se encontrava lá instalada. Num trecho um pouco anterior ao que lemos hoje, vemos que David havia cometido adultério com Betsabé, que era mulher de um dos soldados de David, chamado Urias. Depois disso, para que seu pecado não fosse descoberto, David coloca Urias na linha de frente de batalha, para que fosse morto com mais facilidade. O autor do livro coloca a reação de Deus, que não poderia compactuar com esta atitude de David, na voz do profeta Natã, que tem o diálogo com David narrado na leitura que vimos hoje.

Natã diz a David que Deus não poderá ficar indiferente diante de tamanha falta cometida e que pedirá contas deste pecado. Natã, então, anuncia as punições contra David. Segundo estudiosos das Sagradas Escrituras, o autor do livro escreve este texto muito tempo depois dos acontecimentos do reinado de David. Sendo assim, ele já tinha o conhecimento histórico da morte violenta que sofreram os três filhos de David (Amon, Absalão e Adonias), que não tem ligação com castigos dados por Deus, mas foram consequência de acontecimentos ligados ao tempo de guerra em que eles viveram. Lembremos sempre que muitas pessoas pereciam durante as batalhas violentas e isto acabava por atingir também as famílias dos monarcas. Estas tragédias foram consequências naturais de um tempo de guerra. Mas o autor do livro quer nos transmitir um ensinamento teológico, segundo o qual Deus não pôde ser conivente com os grandes pecados cometidos pelo Rei David. A mensagem do autor para nós é clara. É a mensagem de que Deus não deixa “passar batido” as atitudes das pessoas que se aproveitam de sua condição de poder, para cometerem injustiças com os que são por elas dominados.

No entanto, a última mensagem que vemos no texto é uma mensagem de esperança, onde vemos David, que colocado diante de seus pecados, de seu crime, demonstra profundo arrependimento, com muita humildade, pede perdão a Deus e Deus perdoa a sua falta. O objetivo do autor foi nos mostrar que Deus nunca é conivente com o pecado, mas está sempre disposto a acolher e perdoar o pecador que se arrepende dentro de seu coração. Ele está sempre disposto a perdoar nossas faltas e usar de sua misericórdia infinita com a gente. Ele não nos abandona e nos dá sempre a chance de recomeçar.

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Oliveira
10º Domingo do Tempo Comum (Ano C)

10º Domingo Do Tempo Comum  – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – 1Rs 17,17-24
  • Salmo – Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a.4b)
  • 2ª Leitura – Gl 1,11-19
  • Evangelho – Lc 7,11-17

Hoje celebramos o 10º domingo do Tempo Comum. A liturgia de hoje nos fala do poder de Deus e de sua misericórdia. Veremos essa temática principalmente na primeira leitura e no evangelho.

Na primeira leitura, vemos um trecho retirado do Primeiro Livro dos Reis. Estamos no tempo do profeta Elias, que havia anunciado ao Rei Acabe uma grande seca que se instalaria naquela região. No contexto destes acontecimentos, o profeta Elias pediu abrigo na casa de uma viúva, na cidade de Sarepta, que lhe disse quando o encontrou e este lhe pediu moradia, que já não tinha provisões para sobreviver junto com seu filho, mas com fé na palavra do profeta, que lhe disse que sua farinha e seu azeita não diminuiriam, embora ela tivesse tão pouco, até que as chuvas voltassem por ordem do Senhor Deus, ela o recebeu.

Passado algum tempo, seu filho caiu doente. E ela, achando que tudo aquilo acontecia por causa da presença do profeta, uma vez que havia entendido que aquele mal que se abatia sobre seu filho era consequência da ira de Deus que havia tomado conta da região, já que não chovia fazia muito tempo, se irou contra Elias.

Elias, por sua vez, leva a criança, que já se encontrava sem vida, para o quarto onde vivia, e clama a Deus por ela. Esta oração de Elias não mostra nenhuma revolta contra Deus, mas demonstra a imensa compaixão que ele sentiu por aquela mulher que o acolhera. Elias derrama, então, todo o seu amor, toda a sua compaixão, naquela oração que ele dirige a Deus, pedindo que fosse restituída a vida da criança. E Deus atende ao pedido de Elias, devolvendo a vida à criança.

Este episódio nos narra um dos milagres atribuídos ao profeta Elias. Devemos compreender esta narração no contexto da disputa religiosa em que viviam os cananeus, adeptos do deus Baal, a quem eles atribuíam toda a vida e fertilidade, tanto da terra, dos animais, quanto das famílias, que são confrontados agora com o poder de Javé, anunciado pelo Profeta Elias. Portanto, a seca profetizada por Elias anunciava para aquele povo que, embora Baal fosse considerado o senhor da fertilidade e da vida, não tinha poder para revogar o decreto de Javé que fez cessar as chuvas na região, anunciado por Elias, perdendo, por consequência, as atribuições que lhes eram atribuídas pelos cananeus.

Portanto, o milagre de Elias, a começar pelo episódio da multiplicação da farinha e do azeite, que nunca faltaram na casa da viúva que o acolheu, mostra que o poder de Deus era muito maior que o de Baal, mesmo dentro de seu próprio país e, ainda, ao contrário de Baal, era exercido mesmo sem que as condições da natureza lhe favorecessem. Ou seja, era um poder verdadeiro.

Plantação
Créditos da imagem: freepik.com (wirestock)

Outra conclusão a que podemos chegar do relato deste trecho é que o ensinamento que o autor quer nos passar é que a vida vem sempre de Deus. O milagre de Elias, que através de sua oração, restitui a vida do filho daquela viúva, juntamente com o milagre da farinha e do azeite que nunca terminaram durante o período de seca, mostra perante aquela nação, que Javé é o senhor da vida e da fertilidade. O próprio nome do profeta diz isso. Elias significa “Javé é o meu Deus”.

Também vemos que a misericórdia de Deus não se restringe ao povo de Israel. Nesta história vemos Deus atuando poderosamente na vida de uma viúva pertencente a um povo estrangeiro, habitante da Fenícia. A viúva de Sarepta era, portanto, uma mulher estrangeira, que confessa a fé em Elias como “homem de Deus”, “porta-voz de Deus”. Este trecho está no finalzinho da leitura de hoje, quando a viúva diz: “’Agora vejo que és um homem de Deus, e que a palavra do Senhor é verdadeira em tua boca”. Em outro relato, constante do Segundo Livro dos Reis,  veremos o Sírio Naamã, que foi curado de lepra pelo profeta Eliseu, sucessor de Elias, que também reconhecerá em Javé o Deus verdadeiro. Esses dois relatos serão, ainda, mencionados por Jesus com exemplos de pessoas estrangeiras, que embora não sejam representantes do povo eleito, do povo ao qual o Messias haveria de se manifestar, acolheram a fé no Deus verdadeiro, reconhecendo seu poder e sua divindade, quando Deus se manifestou ao povo através de seus enviados.

(…)continua

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Liturgia Diária – Vox Católica. 

Santíssima Trindade por Antonio de Pereda y Salgado (sec XVII)
Solenidade da Santíssima Trindade (Ano C)

Solenidade da Santíssima Trindade – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Pr 8,22-31
  • Salmo – Sl 8,4-5.6-7.8-9 (R. 2a)
  • 2ª Leitura – Rm 5,1-5
  • Evangelho – Jo 16,12-15

Hoje nossa Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade. Na semana passada, com a celebração de Pentecostes, nós concluímos o ciclo de celebrações em torno do mistério pascal, ou seja, concluímos o Tempo da Páscoa. Hoje, com a Solenidade da Santíssima Trindade, iniciamos a segunda parte do período que a Igreja chama de Tempo Comum. A primeira parte nós encerramos quando se iniciou o Tempo da Quaresma. Então, só para deixarmos bem claro: o ano litúrgico se inicia com o Tempo do Advento, depois temos o Tempo do Natal, em seguida, a primeira parte do Tempo Comum, vindo em seguida o Tempo da Quaresma, seguido pelo Tempo Pascoal e, por fim, temos a segunda parte do período chamado de Tempo Comum. Depois, começamos um novo ano litúrgico, repetindo esse ciclo inteiro.

Hoje nós celebramos o mistério central da fé cristã, que nos foi revelado pelo próprio Jesus. Não é algo inventado por um ser humano. Jesus nos falou sobre o Pai, sobre o Espírito Santo e sobre Ele mesmo, referindo-se às três pessoas como Deus. Santo Agostinho, grande doutor na nossa Igreja, tentou por muitos anos decifrar o mistério de Trindade. No entanto, depois de muito estudo e reflexão, chegou a seguinte conclusão: “Deus não é para ser compreendido, mas para ser adorado!”

Na primeira leitura de hoje, temos um trecho retirado do Livro do Provérbios. Neste trecho o autor nos faz contemplar a criação do universo pelo próprio Deus. Seu poder e seu amor se manifestam nos detalhes das grandes obras por Ele criadas. A sabedoria, que é mostrada na leitura como sempre presente ao lado do Criador desde o início, desde a criação de suas obras mais antigas, desde a própria eternidade, é o próprio Jesus, que é o grande revelador do amor do Pai por nós, suas criaturas.

É importante que a gente saiba que a sabedoria tem sua origem no próprio Deus. E como forma de poder mostrar a intimidade dela com Deus, como forma de manifestar, digamos, a responsabilidade de Deus na origem da própria sabedoria, o autor diz que ela foi “gerada” por Deus. Vejam bem, a diferença entre gerada e criada. A sabedoria não é uma criatura de Deus, não é algo feito por Deus, como uma das suas próprias obras. A sabedoria foi “gerada” por Deus, ou seja, foi feita a partir de sua própria essência divina.

Vocês devem lembrar de uma das formas de proclamação do nosso Credo, uma forma um pouco mais extensa do que aquela que temos habitualmente nas celebrações, em que nós dizemos o seguinte: “Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas.”. Percebam que Jesus é descrito como tendo sido gerado pelo Pai, parte de sua própria substância. Consubstancial é o termo usado na oração. Jesus não é uma criatura de Deus, Ele é o próprio Deus, uma pessoa que é gerada a partir do Pai. E, no final deste pequeno trecho, vemos ainda a afirmação de que “por Ele todas as coisas foram feitas”. Essa é a mesma descrição que vimos hoje na leitura do livro dos Provérbios a respeito da participação da Sabedoria na criação do universo, ela que diz que foi gerada por Deus (e não criada) quando ainda não existiam os abismos, ou seja, antes da formação do mundo, tendo participado, ao lado de Deus de toda a criação.

Foto por "tawatchai07" em freepik.com
Foto por tawatchai07 em freepik.com

Notem também, como no final da nossa leitura, a Sabedoria descreve a si própria como “alegrando-(se) em estar com os filhos dos homens”. Olhando para todo o contexto da leitura, vemos que a Sabedoria, tem origem em Deus, foi gerada por Deus. Ela participa de toda a sua criação e se alegra em estar junto com os filhos dos homens, se alegra em estar próxima aos seres humanos, próxima das criaturas de Deus. Portanto, vemos na Sabedoria, que é personificada pelo próprio Jesus, este elemento, que tem origem no próprio Deus, que se alegra de estar junto com os homens, e que, portanto, tem a capacidade de fazer a ligação entre Deus e suas criaturas. A Sabedoria, presente na criação desde o princípio, tem a capacidade de revelar, para esta mesma criação, a grandeza e o amor de Deus por tudo o que Ele criou.

(…)continua

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Jean Ii Restout - Pentecostes
Domingo de Pentecostes (Ano C)

Solenidade do Pentecostes – Ano C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 2,1-11
  • Salmo – Sl 103, 1ab.24ac.29bc-30 31.34 (R.30)
  • 2ª Leitura – 1Cor 12,3b-7.12-13
  • Evangelho – Jo 20,19-23

Hoje celebramos o Domingo de Pentecostes. Neste dia, o tema central da nossa celebração é o Espírito Santo de Deus. O Espírito Santo é um dom que Deus oferece gratuitamente a todos aqueles que creem. O próprio Jesus nos garantiu isso, dizendo que Deus sempre concede o Espírito Santo a todos que pedirem a Ele. É um dom de Deus que dá vida, que transforma vidas, que renova vidas e que ajuda a construir a comunidade de Deus, através dos homens novos renascidos, justamente, por este mesmo Espírito Santo.

A festa de Pentecostes que celebramos hoje foi incorporada ao calendário cristão. No entanto, é uma festa de origem judaica, que já era celebrada muito antes do nascimento de Cristo. Ela tem origem numa festa judaica que era conhecida como Festa das Semanas. E esta Festa das Semanas, mais no passado ainda, era conhecida com Festa das Colheitas, uma festa onde eram oferecidos a Deus os primeiros frutos das colheitas. É muito provável que esta Festa das Colheitas seja originária das tradições dos povos cananeus, pois, afinal de contas, foi na terra de Canaã que o povo judeu foi habitar após o Êxodo do Egito e depois de passar 40 anos peregrinando pelo deserto. Então era natural que, com o passar do tempo, fossem incorporando determinadas datas festivas que eram celebradas, fazendo, no entanto, as adaptações necessárias de acordo com suas crenças e cultura.

Como nós já falamos algumas vezes, a cultura grega tinha grande predomínio nos tempos antigos e, de acordo com o seu crescimento, de acordo com a sua ascendência sobre o povo de Israel, essa Festa das Colheitas acabou ganhando o nome de Festa de Pentecostes. Pentecostes, que vem do grego e significa “quinquagésimo”, pode ser explicado como um período de 7 semanas (49 dias) mais um dia, para podermos ter 50 dias. Hoje, para nós cristãos, é uma festa celebrada 50 dias após a Páscoa, ou seja, 50 dias após a ressurreição de cristo.

E é no contexto desta festa que situamos a primeira leitura de hoje. A nossa narrativa se passa exatamente no dia de Pentecostes. Temos que ter em mente a intenção teológica com que Lucas escreve seu texto. Ele não está preocupado em narrar um fato de forma jornalística, não tem a intenção de fazer uma fotografia exata de acontecimentos ocorridos naquele dia. Nós devemos retirar do seu texto os ensinamentos que ele nos deixa através das imagens que nos são por ele apresentadas na sua narrativa.

Como vimos no início do nosso texto, a festa de Pentecostes era originariamente uma festa de características agrícolas. Depois, com a incorporação pelos Judeus em seu calendário festivo, ela passou a celebrar a aliança entre Deus e o Povo, formalizada pela Torá, o escrito que contém os 5 primeiros livros do Antigo Testamento, onde estão descritos todos os mandamentos e orientações que o povo judeu deveria observar. Ao redor da Torá, a obediência deste povo a uma mesma Lei pode caracterizar com tanta distinção a constituição do povo Judeu, que mesmo passando por tantas desventuras através de sua história, nunca perdeu seu vínculo, sua unidade, sua caracterização como um único povo.

Ao narrar o episódio da vinda do Espírito Santo justamente neste dia, no dia da Festa de Pentecostes, Lucas nos ensina que o Espírito Santo deverá ser a nova lei de Deus, a lei da Nova Aliança, da mesma forma que a Torá foi a lei da Antiga Aliança. Este Espírito é que deverá guiar seu povo através da história, de forma dinâmica. Será pelo Espírito Santo que a nova comunidade, que estava se formando, deverá ser movida e inspirada.

Monte Sinai
Vista do Monte Sinai

Depois, vemos a descrição da manifestação do Espírito Santo neste dia. Reparem, que essa descrição é feita através da presença de dois elementos, que são conhecidos como símbolos da revelação que Deus fez no Monte Sinai: a tempestade, um vento forte, e o fogo. Estes símbolos nos transmitem a maneira como Deus se comunica com os homens, são símbolos desta ação. Assim como no monte Sinai Deus se manifestou a Moisés através de trovões e das chamas que estavam sobre a montanha, Deus se manifesta agora ao povo através de um grande barulho vindo do céu, de uma forte ventania e, por fim, através de línguas de fogo que pousavam sobre os discípulos, como vimos no texto da leitura.

(…)continua

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Ascensão do Senhor por John Copley
Solenidade da Ascensão do Senhor (Ano C)

Solenidade da Ascensão do Senhor – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 1,1-11
  • Salmo – Sl 46,2-3.6-7.8-9(R.6)
  • 2ª Leitura – Ef 1,17-23
  • Evangelho – Lc 24,46-53

Hoje celebramos a Solenidade da Ascensão do Senhor. Nesta festa, relembramos o evento que marcou a despedida de Jesus deste mundo. Ele, na presença dos seus apóstolos, é elevado ao Céu, quarenta dias depois da sua ressurreição.

É exatamente a narração deste evento que vamos ver na primeira leitura de hoje, que marca o início do Livro dos Atos dos Apóstolos. Quando leio esse trecho tenho sempre a impressão de que ainda estou lendo um trecho de algum Evangelho, pois temos a narração de um evento ainda com a presença de Jesus, com Ele se dirigindo diretamente àqueles que estavam do seu lado.

Hoje, praticamente, temos a mesma narração deste fato relatada tanto na primeira leitura, quanto no Evangelho, ainda mais se levarmos em consideração que ambos os livros dos quais foram retiradas as leituras de hoje foram escritos pelo mesmo autor, São Lucas.

Hoje

Hoje nós lemos os primeiros versículos do livro dos atos dos apóstolos. Este livro foi escrito por São Lucas, por volta do ano 80, mais ou menos uns 50 anos depois da morte e ressurreição de Jesus. Se pararmos para analisar, tanto este livro, quanto o próprio Evangelho devem ter sido escritos destinados, originariamente, a mesma pessoa, um homem chamado Teófilo. Mais uma vez temos que nos atentar para o significado catequético que tem o nome. Teófilo, muito provavelmente, não era uma pessoa em particular. O nome Teófilo tem o significado de “Amigo de Deus”, pois ele é a junção de duas palavras, Teo, que significa Deus e Filo, que significa amigo. Dessa maneira, o destinatário destes livros são todos aqueles que são considerados amigos de Deus. É para essas pessoas que Lucas escreve os seus livros.

Neste pequeno trecho do livro, vemos marcados dois fatos importantes que podemos destacar. O primeiro é a vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos. Jesus pede aos seus apóstolos que não se afastem de Jerusalém, pois é aí que eles receberão o batismo do Espírito Santo, que tinha sido prometido por João Batista, antes mesmo do início da vida pública de Jesus. Este trecho está narrado no versículo 11, do capítulo 3, do Evangelho de Mateus:

“Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.”

O segunda trecho, que é consequência deste primeiro, é quando Jesus diz aos seus discípulos qual deverá ser o destino da missão deles. Jesus diz: Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria, e até os confins da terra.” E estas foram, as últimas palavras dirigidas por Jesus aos seus discípulos enquanto estava com eles na Terra. Com essas duas recomendações, Lucas quer nos mostrar que a atividade missionária dos discípulos e, consequentemente, a atividade missionária da Igreja que iria se formar, é uma ordem direta dada pelo próprio Jesus, não é algo inventado pelas pessoas, mas foi algo falado diretamente por Jesus a eles, assim como foram dadas tantas e tantas instruções durante os três anos em que eles conviveram com o Mestre e que estão relatadas nos Evangelhos.

Além disso, além desse característica objetiva da missão, Jesus garante aos discípulos que o Espírito Santo de Deus, aquele mesmo paráclito que já havia sido prometido, como vimos no Evangelho do domingo passado, aquele que ficaria ao lado deles, depois que Jesus partisse fisicamente deste mundo, relembrando todas as instruções que haviam sido dadas por Ele, inspirando os discípulos todas as vezes em que eles devessem dar testemunho de Jesus perante as pessoas, este mesmo Espírito Santo de Deus desceria sobre eles e iria acompanhá-los durante todo o trajeto, durante toda a realização dessa atividade missionária que estava sendo ordenada por Jesus.

Ascensão do Senhor - por Garolafo
Ascensão do Senhor – por Garofalo.

Mais à frente, no texto da leitura, vemos mais uma vez a menção à nuvem. Como já vimos em outros domingos, a nuvem é o símbolo da presença oculta e manifesta de Deus. Seria como a manifestação visível da Glória de Deus que não podemos ver, que não podemos contemplar nesse mundo. Por diversas vezes vemos no Antigo Testamento a menção que é feita à presença da nuvem, quando o autor do texto se refere à presença de Deus. Talvez a mais marcante delas seja a da nuvem que acompanhava o povo através do deserto após o Êxodo do Egito.

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Paulo
6º Domingo da Páscoa (Ano C)

6º Domingo da Páscoa – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 15,1-2.22-29
  • Salmo – Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 4)
  • 2ª Leitura – Ap 21,10-14.22-23
  • Evangelho – Jo 14,23-29

Chegamos ao sexto Domingo do Tempo Pascoal… hoje, na primeira leitura, mais uma vez vamos acompanhar a formação das primeiras comunidades cristãs. Já vimos, nas semanas anteriores, como a pregação de Paulo e Barnabé foi expandindo a mensagem de Jesus pelas comunidades fora de Jerusalém. Como eles levaram a pregação do evangelho ao mundo grego e romano, e como essa mensagem foi recebida de maneira diferente por diversos grupos de pessoas. Fato é que a grande massa de pessoas que aderiu ao convite à conversão feito através de Paulo e Barnabé eram pagãos. Pagão, para os Judeus, eram todos aqueles que não pertenciam à fé judaica, todos os que não eram membros do povo escolhido.

Dado este contexto, com essa adesão em massa de pessoas oriundas do paganismo, algumas questões relevantes, que até aquele não momento não tinham sido levantadas, começaram a surgir. E a principal delas talvez seja aquela que vemos hoje na primeira leitura. Para aderir à proposta de Jesus Cristo, os pagãos teriam que passar primeiro pelo judaísmo, tendo em vista que foi lá, dentro daquela cultura, em particular, que Jesus se manifestou ao mundo? Será que deveria ser imposta a esses novos convertidos a prática da lei de Moisés para que eles pudessem ser reconhecidos como membros dessa nova comunidade baseada nos ensinamentos de Jesus?

Reparem, que aqui nós não estamos vendo uma discussão sem sentido, como pode parecer para nós nos dias de hoje. Temos sempre que tentar entender o contexto em que essa problemática estava inserida. Estamos diante de uma questão que, dependendo do rumo que sua resolução tomasse, iria ter sérias consequências para continuidade da pregação dos apóstolos, e, consequentemente, para a construção daquelas comunidades que viriam a se tornar no futuro a base da Igreja de Jesus. Aquele ambiente ainda era um ambiente de indefinição. Não existia uma clara ideia da diferença entre o que era o Judaísmo e o que viria a se tornar o Cristianismo. Essa separação que nós vemos claramente nos dias de hoje não existia com clareza naquele momento. Ainda estávamos vendo o processo de cisão que estava ocorrendo dentro do Judaísmo, entre os que receberam a mensagem de Jesus e os que não a receberam. Jesus veio para os Judeus, primordialmente. Se a grande maioria dos Judeus tivesse aceitado Jesus como enviado de Deus, como Messias, como Salvador e Redentor, e apenas uma ínfima minoria, ainda que poderosa ao ponto de o entregar para ser morto, o tivesse rejeitado, hoje, talvez, essas nomenclaturas que nós conhecemos como Judaísmo e Cristianismo seriam diferentes. Não podemos saber ao certo. Mas é fato que, naquele momento, ainda não existia uma clara separação entre judeus e cristãos.

A grande questão que estava sendo levantada era se a salvação viria através da circuncisão, que era uma prática obrigatória no judaísmo, e também da observância das leis contidas na Torah, que deviam ser rigorosamente cumpridas pelos judeus, ou se seria exclusivamente uma dádiva oferecida por Jesus. Trocando em miúdos…. o que estava em discussão era se Jesus era o único Salvador e responsável por nossa salvação ou se precisaríamos, além da graça que nos foi oferecida por Ele, da observância de outras coisas para podermos alcançar a salvação.

A Comunidade de Antioquia, onde foi travada esta discussão, tinha estas dúvidas. Não sabia exatamente como proceder. Lembremos, pessoal, de que lá havia uma grande quantidade de pagãos recém-convertidos e, também, uma expressiva quantidade de pessoas pertencentes ao povo judeu. Daí podemos ver a relevância que esta questão tomou. Muitos dos novos cristãos, mas que possuíam uma origem judaica, ou seja, eram judeus que haviam acolhido Jesus como Messias Salvador, mas davam grande valor a suas tradições e, consequentemente, às práticas tradicionais que já tinham o costume de observar, defendiam que os pagãos primeiro deveriam se converter ao Judaísmo, passar pela circuncisão e pela observância das leis da Torah, para, finalmente, alcançar a Salvação prometida por Jesus. Já Paulo e Barnabé, que tinham sido os responsáveis pela pregação da Boa Nova naquela localidade, discordavam desta postura e diziam que bastava somente aceitar a Jesus para poder obter a salvação. Segundo eles, não era necessário aos pagãos adotarem as práticas judaicas, bastava somente aceitar a salvação oferecida por Jesus, aderindo voluntariamente à sua proposta de vida.

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