Oração
5º Domingo da Páscoa (Ano C)

5º domingo da Páscoa C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 14,21b-27
  • Salmo – Sl 144,8-9.10-11.12-13ab (R.cf.1)
  • 2ª Leitura – Ap 21,1-5a
  • Evangelho – Jo 13,31-33a.34-35

Chegamos ao quinto Domingo da Páscoa. Neste domingo, nós podemos dizer que o tema central da liturgia é o amor. É exatamente o mandamento do amor que identificará aqueles que são os seguidores verdadeiros de Jesus. Este amor é reflexo do mandamento que nos foi dado pelo próprio Jesus, como veremos na partilha sobre o Evangelho, mas também se manifesta na vida das primeiras comunidades cristãs que vemos na primeira leitura e na visão do novo céu e da nova terra, que vemos na segunda leitura, este local que será o local definitivo, a terra do amor verdadeiro e infinito, destinada àqueles que foram chamados a amar neste mundo como foi ordenado por Jesus.

Na primeira leitura, vemos uma continuidade da leitura do livro dos atos dos apóstolos que lemos na semana passada. No último domingo, nós acompanhamos o começo da primeira viagem missionária de Paulo que, acompanhado por Barnabé, havia partido de Antioquia, indo a cidade de Perge e, de lá, rumado para a região da Psídia, onde eles fizeram um grande discurso na Sinagoga deles e reuniram uma grande multidão de pessoas, muitas das quais, após este evento, vieram a abraçar a fé cristã. Vimos também que eles sofreram grande oposição da comunidade judaica que residia naquela região. Na verdade, os que começavam a abraçar a fé eram os pagãos.

Na leitura de hoje, nós vemos exatamente a conclusão dessa primeira viagem missionária de Paulo. Após ele, junto com Barnabé, terem viajado pelas regiões de Chipre, Psídia e outras localidades da Ásia Menor, chegaram até a comunidade de Derbe. De lá, eles começaram a retornar, passando por outras localidades onde haviam estado e onde também haviam fundado novas comunidades. E, como não poderia deixar de ser diferente, da mesma forma como sofreram grande resistência da comunidade judaica na Psídia, assim também aconteceu em outras localidades, onde a grande maioria dos que abraçavam a fé era composta por pagãos. Como na semana passada, também, a leitura de hoje é bastante recortada. Não é uma leitura direta de todos os versículos. Ela menciona apenas algumas partes do capítulo 14. Por isso, recomendo a quem tiver interesse em compreender melhor o contexto em que ela está incluída, que faça uma leitura completa dos capítulos 13 e 14 do livro dos atos dos apóstolos, para ter uma visão mais global dessa viagem. Fazendo essa leitura, vocês terão uma visão bem legal do contexto em que se realizou essa primeira viagem missionária de Paulo.

Viagem a Derbe
Créditos da Imagem: freebibleimages.org

Nós vemos nestes dois capítulos uma característica muito marcante na fundação destas primeiras comunidades cristãs. O grande entusiasmo que tomava conta dos primeiros missionários. Esse entusiasmo fez com que eles pudessem vencer grandes contrariedades que a viagem lhes apresentou, onde nós podemos destacar, sem sombra de dúvidas, a grande resistência que lhes foi oposta pelos judeus. E não somente isso, mas também toda a dificuldade que uma longa viagem naquela época proporcionava àqueles que se propunham a realizá-la. Numa época tão precária, onde grande parte das viagens eram feitas a pé, ou no lombo de animal, sem nenhuma regalia de ter um hotel à sua disposição, ou mesmo sem nenhuma garantia de hospedagem durante o trajeto, com dificuldades enormes de alimentação e até mesmo de conseguir água…. Mesmo assim, o entusiasmo que era causado pela Boa Nova superava todas essas contrariedades. A vontade e a necessidade que essas pessoas sentiam de anunciar a mensagem que Jesus havia lhes confiado, superava tudo.

Reparem, também, como o contexto das leituras da semana passada e deste domingo, nos mostra que esse entusiasmo missionário não foi uma obra de inspiração humana, mas de inspiração divina. No início do capítulo 13 do livro de atos, onde se conta o início dessa primeira viagem missionária de Paulo, nos é mostrado que a escolha de Paulo e Barnabé para realizarem a viagem tinha sido inspiração do Espírito Santo. Está lá, nos versículos 2 a 4:

 “Enquanto celebravam o culto do Se­nhor, depois de te­rem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: “Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado”. Então, jejuando e orando, impuseram-lhes as mãos e os despediram. Enviados assim pelo Espírito Santo, foram a Selêucia e dali navegaram para a ilha de Chipre.”

(…)continua

Ouça na ÍNTEGRA! Os comentários continuam e abrangem a 1ª Leitura, 2ª Leitura e o Evangelho desse domingo. Você se interessou em aprofundar este conteúdo? Ouça o comentário completo assistindo ao vídeo que contém o programa Conversando sobre a Palavra na íntegra:

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Bom Pastor
4º Domingo da Páscoa (Ano C)

4º Domingo da Páscoa C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 13,14.43-52
  • Salmo – Sl 99,2.3.5 (R. 3c)
  • 2ª Leitura – Ap 7,9.14b-17
  • Evangelho – Jo 10,27-30

Neste quarto domingo da Páscoa, nossa liturgia tem como tema principal a imagem do “Bom Pastor”. O quarto domingo da Páscoa, aliás, é conhecido como o “Domingo do Bom Pastor”. Ele tem esse nome, porque todos os anos, sempre no quarto domingo da Páscoa, a Igreja nos apresenta um trecho do capítulo 10 do Evangelho de João, que traz exatamente para nós essa imagem do Bom Pastor. O trecho varia de ano para ano, mas a temática é sempre a do Bom Pastor.

Ovelhas
Créditos: Vecteezy.com

– A Primeira Leitura de hoje é retirada do capítulo 13 do Livro dos Atos dos Apóstolos. Aliás, a partir deste capítulo do Livro, nós podemos ver uma narrativa que nos mostra como a Igreja de Deus foi introduzida no meio do mundo greco-romano. Deste trecho em diante o protagonista principal do Livro será Paulo, aquele que originariamente era um Fariseu, perseguidor dos seguidores de Jesus Cristo, mas que agora se tornará o maior difusor da mensagem do Evangelho fora da região de Israel. Para quem tiver curiosidade, a narração da conversão de Paulo está alguns há capítulos atrás, nesse mesmo Livro dos Atos dos Apóstolos. Está lá no capítulo 9. Vale a pena dar uma conferida.

Essa grande viagem missionária de Paulo começa exatamente na comunidade formada em Antioquia. Dentro dessa comunidade, que estava em franco crescimento, existiam várias pessoas tidas na conta de profetas e doutores. Realmente era uma comunidade próspera no que diz respeito ao florescimento do cristianismo primitivo. Essa comunidade, por sua vez, inspirada pelo Espírito Santo de Deus, escolheu dentre todas essas pessoas que se destacavam, Paulo e Barnabé e confiou a eles a missão de saírem para propagar o Evangelho em outras localidades. Quando chegaram a uma localidade chamada de Antioquia da Psídia, Paulo, num dia de sábado, entrou na Sinagoga deles e se sentaram, muito provavelmente participando da Cerimônia local. Depois que foram feitas as leituras, como nos foi narrado, os chefes da Sinagoga disseram a eles que se eles tivessem alguma palavra de exortação que devesse ser dita, que falassem naquele momento.

O trecho da liturgia de hoje pula diretamente do versículo 14 para o versículo 43. É justamente nesse trecho que não foi incluído, ou seja, dos versículos 15 ao 42, que Paulo faz um longo discurso, onde ele menciona a ação de Deus na vida do povo judeu, desde a época da libertação da escravidão do Egito, passando pelo caminho que o povo percorreu no deserto, pela entrada na terra de Canaã, pelo tempo dos Juízes, pela escolha de Saul como Rei e sua substituição no poder por Davi. Menciona também que Jesus pertence à essa descendência de Davi e que foi a enviado ao povo, também, segundo promessa feita pelo próprio Deus. Depois, ainda, continua seu discurso focando na pessoa de Jesus, em sua divindade e na rejeição que sofreu por parte dos próprios Judeus.

Ao final deste discurso, voltamos ao trecho lido na liturgia de hoje, onde muitos judeus ficaram entusiasmados com a pregação de Paulo, e passaram a segui-lo. No sábado seguinte, Paulo retorna à Sinagoga e é recebido por uma grande multidão que estava ansiosa pela continuação da sua pregação. No entanto, essa pregação de Paulo também incomodou muito a uma parte dos judeus que ali residiam e estes, como também nos é narrado na leitura, passaram a protestar contra Paulo e Barnabé, dirigindo a eles várias injúrias.

A grande questão que vemos nessa narrativa é a diferença de recepção às palavras de Paulo, que representavam o convite para aquelas pessoas aderirem à proposta feita por Jesus. Paulo, pelo que nos conta a narrativa do Livro dos Atos, já havia feito um grande discurso, que tinha provocado uma grande repercussão na comunidade. Ele havia retornado no sábado seguinte para mais um pronunciamento, quando foi recebido por uma grande multidão que o aguardava e por uma outra parcela do povo, que também o aguardava, mas com outras intenções…. Esse último grupo, eram os representantes do povo escolhido, do povo judeu, os mesmos que baseados no orgulho, na comodidade de uma estrutura social já estabelecida, e que lhes favorecia como classe dominante, e também na dificuldade que tinham de se desapegar das suas certezas, criadas por eles próprios no decorrer de sua história, reagiu de forma negativa ao chamamento para ingressarem no projeto do Reino de Deus, no projeto salvador de Jesus para o mundo.

(…)continua

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São Pedro
3º Domingo da Páscoa (Ano C)

3º Domingo da Páscoa C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 5,27b-32.40b-41
  • Salmo – Sl 29,2.4.5-6.11.12a.13b(R.2a)
  • Salmo – Ap 5,11-14
  • Evangelho – Jo 21,1-19

A liturgia desse 3º Domingo da Páscoa vai nos mostrar que a comunidade cristã, da qual falamos tanto na semana passada, criada com fundamento em Jesus Cristo ressuscitado, tem por objetivo principal testemunhar a presença viva de Jesus no meio dela, e continuar trabalhando na realização de seu projeto libertador em favor daqueles que a integram. Além disso, também cabe a comunidade, através de seu testemunho de vida, atrair cada vez mais membros para dentro de si. Dessa maneira, ela crescerá em número, mas também em testemunhas, uma vez que estes membros, já integrados plenamente, também serão membros ativos dela. Bonita essa teoria… Mas, como nós vimos nas leituras de hoje, essa missão foi extremamente difícil naquele começo, em particular, e continua sendo difícil também nos dias de hoje. Cada época com sua dificuldade, mas a concretização dos projetos de Jesus sempre encontrou, e ainda encontra, muita resistência por parte daqueles que rejeitaram e, hoje ainda, rejeitam suas palavras.

Na primeira leitura encontramos uma frase que deve nortear insistentemente a vida de todos nós, católicos, a vida de todos os cristãos! Mas primeiro vamos contextualizar a frase para que possamos ter a verdadeira noção do que ela representou naquele momento, tendo em vista o contexto em que ela foi proferida. Pedro havia sido preso pelos guardas e levado à presença do Sinédrio. Apenas para ficar claro, o Sinédrio era a o equivalente da Suprema Corte de Israel naquela época. Os seus membros eram os responsáveis por administrar a Justiça e por interpretar e aplicar a Lei Judaica. Além disso, também eram os responsáveis por fazer a representação do povo de Israel junto ao Império Romano. É dentro deste ambiente de poder que Pedro é levado para dar explicações ao Sumo Sacerdote, que era a pessoa que comandava o Sinédrio. Quando ele foi abordado pelo Sumo Sacerdote, que disse que eles (Pedro e os apóstolos) haviam sido proibidos expressamente de ensinar em nome de Jesus, Pedro, com o respeito devido à autoridade, mas sem nenhum temor do conteúdo de sua resposta, diz: “É preciso obedecer a Deus, antes que aos homens.”

É exatamente esse o desafio de todos nós. Obedecer primeiro a Deus e depois aos homens. Esse é o tema central da nossa leitura. A proposta feita por Jesus à humanidade não se adequa aos esquemas humanos, que fazem todos os esforços para manterem inabalados os seus esquemas de privilégio que foram construídos e que acabam por excluir, por um sem número de motivos, grande parte das pessoas. Os sistemas de poder construídos pelo mundo não prezam pela igualdade entre os homens, não prezam pelo amor entre as pessoas. Eles são, na verdade, fonte de todo o desequilíbrio, de toda a desigualdade, de toda a injustiça, que dominam nossa existência desde o momento em que as pessoas passaram a conviver juntas em sociedade. É por conta de tudo isso, por conta do pecado, da desobediência dos homens em relação ao criador, que foi desconstruído o plano de Deus para as pessoas, porque as pessoas optaram por olhar somente para seus próprios interesses, optaram por obedecer a outros senhores que não Deus, por causa de tudo isso, foi que Jesus veio a esse mundo para nos resgatar desta situação e para, principalmente, resgatar aqueles que foram os mais prejudicados, os mais afetados por tudo isso . Jesus nos deixou seu legado através dos apóstolos, que foram os seus companheiros de caminhada e que, como Ele, também não poderiam ser aceitos de maneira amistosa por aqueles mesmos que crucificaram o Seu Mestre.

Oração e pedido
Créditos da Imagem: Vecteezy.com

Hoje, nossas comunidades são a continuação deste legado. Nossas comunidades têm por obrigação primeira, assim como Pedro, diante de todas as situações, obedecer antes a Deus do que aos homens. E quem é a nossa comunidade, senão a junção individual de todos os seus membros? Sendo junção individual de seus membros, ela não pode se dedicar a uma obediência que preze sempre, em primeiro lugar, a obedecer a Deus coletivamente, se individualmente os seus integrantes não tiverem este mesmo propósito. Se cada indivíduo tem o seu propósito individual de obediência aos desígnios de Deus, já vai chegar “treinado” na comunidade, já vai ser integrado a ela imbuído do espírito que deve animar as verdadeiras comunidades cristãs. Mas, ao contrário, se as pessoas não começarem a exercer essa primazia da obediência a Deus em suas vidas individuais, mesmo que cheguem a integrar uma comunidade, não deixarão que seu individualismo seja calado pelo interesse maior do coletivo, pelo interesse que deve ser inspirado pelo projeto libertador e salvador de Jesus.

(…)continua

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Libertação da prisão
2º Domingo da Páscoa (Ano C)

2º Domingo da Páscoa – C

Leituras do Dia

1ª Leitura – At 5,12-16

Salmo – Sl 117,2-4.22-24.25-27a(R.1)

2ª Leitura – Jo 1,9-11a.12-13.17-19

Evangelho – Jo 20,19-31

A liturgia deste segundo Domingo da Páscoa é marcada pelo destaque que a comunidade cristã tem, como protagonista de um local onde todos podem ter o encontro com Cristo ressuscitado. A comunidade é o local escolhido para isso. Nós vemos no livro dos Atos dos Apóstolos como as primeiras comunidades foram formadas. Como foi a partir do testemunho vivo dos apóstolos que as pessoas começaram a se reunir em torno daquilo que viriam a ser as primeiras comunidades cristãs.

Nós vemos na leitura de hoje que os discípulos, no princípio da organização das comunidades, realizavam muitos prodígios no meio do povo. Jesus concedeu a eles a permissão de realizar estes sinais em nome Dele, porque julgou ser algo propício para aquele momento de construção inicial das primeiras comunidades. Se prestarmos atenção aos relatos da nossa leitura de hoje e de alguns outros trechos do livro dos Atos dos Apóstolos, veremos que a descrição da ação exercida pelos apóstolos de Jesus neste momento e a reação que o povo apresenta frente a estes fatos muito se assemelha às narrativas de muitos acontecimentos ocorridos durante a vida pública de Jesus. Nós vimos por diversas vezes nas narrativas evangélicas, principalmente naquelas que nos são apresentadas nos evangelhos sinóticos (que são os de Mateus, Marcos e Lucas) a ação libertadora de Jesus atuando a pleno vigor, ação esta que se manifestava muitas vezes pela cura física e espiritual de inúmeras pessoas, que, uma vez libertas das amarras físicas, espirituais e mesmo pseudo-morais, que faziam com que elas fossem excluídas da sociedade em que viviam, passavam a ser reintegradas à convivência dentro da sua comunidade.

Então, partindo dessa análise, nós podemos interpretar que na visão de Lucas, que é o autor do livro do Atos dos Apóstolos, mas também é autor de um dos evangelhos sinóticos, a missão desta nova comunidade, que estava sendo formada, deveria ser uma continuidade da missão que foi proposta às pessoas pelo próprio Jesus durante os anos em que esteve exercendo seu Ministério, durante sua vida pública. A semelhança dos acontecimentos narrados por Lucas em ambas as situações nos traz a ideia de que, muito mais do que o desejo de nos transmitir um retrato fotográfico da época de formação destas primeiras comunidades, com detalhes narrativos de minúcias de acontecimentos ocorridos, a ideia principal de Lucas é uma ideia que quer nos transmitir um ensinamento teológico. Um ensinamento às comunidades, desde as primeiras que foram formadas, até as milhares que surgiram durante os séculos, ou ainda, às milhões de comunidades, hoje existentes. Todas as comunidades que se formaram com base no cristianismo, devem ter a mesma missão original proposta por Jesus durante sua vida no meio de nós. As comunidades devem continuar a missão libertadora de Jesus em favor dos excluídos, em favor dos oprimidos, dos pobres, daqueles que não tem a devida atenção dada pelos ocupantes dos poderes constituídos, daqueles que não representam nada, ou praticamente nada, para as camadas privilegiadas das sociedades.

Vejam quanta semelhança realmente temos com as narrativas dos acontecimentos descritos nos evangelhos, quando eram mencionados trechos que narravam as ações de Jesus no meio do povo e o modo como o povo se portava em sua presença. Os relatos têm muita semelhança entre si, o que nos reforça realmente a ideia de que essa descrição feita por Lucas tem uma forte conotação teológica, querendo nos mostrar a importância da continuidade do projeto salvador e libertador de Jesus na vida das novas comunidades. Nós vemos no texto de hoje:

“Chegavam a transportar para as praças os doentes em camas e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, pelo menos a sua sombra tocasse alguns deles. A multidão vinha até das cidades vizinhas de Jerusalém, trazendo doentes e pessoas atormentadas por maus espíritos. E todos eram curados.”

Pedro
Créditos da Ilustração: freebibleimages.org

Agora eu vou chamar a atenção de vocês para um fato em particular que é mencionado nesta leitura. A leitura faz referência ao fato de que a sombra de Pedro tinha um grande poder curativo. As pessoas traziam os doentes, motivadas pela fé, em camas e macas e esperavam que Pedro, ao menos com sua sombra, as tocasse. É curioso que o relato de realização de curas através do contato com a sombra não é nem atribuído à pessoa de Jesus. Será que Lucas quer nos dizer que Pedro tornou-se um ser mais poderoso que o próprio Jesus? Mais uma vez temos que recorrer à intenção teológica do autor, que coloca em Pedro a personificação de que, para todo aquele que se dispõe a abraçar o projeto salvador e libertador proposto por Jesus, tudo se torna possível.

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Páscoa
Domingo de Páscoa (Ano C)

Domingo da Páscoa – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – At 10,34a.37-43
  • Salmo – Sl 117,1-2.16ab-17.22-23 (R.24)
  • 2ª Leitura – Cl 3,1-4
  • Evangelho – Jo 20,1-9

Chegamos ao grande dia de todo Cristão! Dia da maior festa de toda a cristandade! O dia mais importante e alegre para todos aqueles que professam Cristo como o Senhor de suas vidas! A festa da Páscoa, a festa em que comemoramos a vitória da vida sobre a morte, através de ressurreição de Jesus!

Porém, nem sempre a Páscoa teve o significado que ela tem hoje. A Páscoa já era comemorada pelos judeus antes de Jesus. A Páscoa dos judeus tinha o significado de passagem. O termo hebraico utilizado para se referir à Páscoa é “Pessach” e tem o significado de “passagem” ou “travessia”. Na religião judaica a festa da Páscoa está relacionada à saída do povo judeu do Egito. Eles foram liderados por Moisés e atravessaram as águas do mar vermelho, em direção à terra prometida a eles por Deus, depois de mais de 400 anos de escravidão.

O termo “páscoa”, “passagem”, também está relacionado especificamente a uma das dez pragas enviadas por Deus à terra do Egito, após o Faraó ter se negado a libertar o povo de forma pacífica. Nessa praga, como é descrita no livro do Êxodo, o anjo exterminador de Deus “passou” pelo Egito levando consigo todos os primogênitos, inclusive o filho do Faraó. Entretanto, os judeus que marcaram as portas de suas casas com sangue de um cordeiro macho e sem defeito, conforme descrição do mesmo livro, foram poupados.

Já nós, Cristãos, reconhecemos em Jesus este cordeiro pascal. O cordeiro de Deus, sem pecado, que foi morto para nos salvar e nos libertar da escravidão do pecado. Jesus realizou a nova Páscoa, fazendo a passagem da morte para vida, três dias após ter sido morto na cruz.

A Páscoa do nosso tempo possui também alguns símbolos, que nós conhecemos pela prática, e que são oriundos de outras tradições. O coelho e o ovo são os melhores exemplos. O coelho é um animal de uma fertilidade muito grande. Isso, numa época em que a vida era muito difícil, trazia sempre uma esperança de multiplicação e renovação. O coelho era um dos primeiros animais a surgir no final dos invernos rigorosos, o que por sí só já era um símbolo de que o pior já havia passado. O ovo, por sua vez, sempre foi sinal de nova vida, de nascimento. Na antiguidade, era muito comum as pessoas se presentearem umas às outras com ovos cozidos e pintados, bem coloridos. Isso também acontecia quando se iniciava a primavera. Com o tempo, e como grande parte de nossas tradições são oriundas da cultura europeia, ambos os símbolos acabaram sendo incorporados à Páscoa pelos cristãos.

Infelizmente isso acabou tendo consequências graves para nós… Cada dia mais esses símbolos acabam ocupando um espaço maior na comemoração da Páscoa, com os interesses poderosos da indústria de chocolates e do comércio em geral, nossa cultura vai, aos poucos, afastando o real significado da Páscoa, que é a festa da Ressurreição de Cristo, e fazendo com que tenhamos apenas uma festa meramente comercial, quase pagã, onde celebramos apenas um evento de venda de comidas e chocolates. Se vocês prestarem atenção, pelo menos é assim nas grandes cidades, logo após o carnaval as grandes redes de varejo já começam a abarrotar suas lojas de ovos de páscoa. Ou seja, transformam a Quaresma, que deveria ser um período de maior recolhimento, de preparação espiritual, quase que num grande feirão onde o único sentido é aproveitarmos as melhores oportunidades para comprar chocolates para “celebrarmos” a Páscoa que se aproxima. Sinceramente, está nunca deve ser a nossa Páscoa.

Chocolate é uma delícia. Não tenho a menor dúvida disso. Mas chocolate tem o ano todo. Não faz sentido para um cristão transformar a maior festa da Igreja num evento onde a coisa mais importante é comprar e distribuir ovos de chocolates ou fazer, de um dia como a sexta-feira Santa, em que nossa igreja nos pede Jejum e abstinência, um dia para fazermos uma ceia regada a bacalhau e peixes (que, na verdade, nada mais são do um jeito que se arranjou para driblar a restrição ao consumo de carne vermelha).

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Entrada de Jesus em Jerusalem
Domingo de Ramos (Ano C)

Domingo de Ramos – C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Is 50,4-7
  • Salmo – Sl 21,8-9.17-18a.19-20.23-24 (R.2a)
  • 2ª Leitura – Fl 2,6-11
  • Evangelho – Procissão – Lc 19,28-40
  • Evangelho – Lc 22,14-23,56

Hoje celebramos o Domingo de Ramos que marca a abertura da semana mais importante de todo Cristão: A Semana Santa. É a partir da entrada triunfante de Jesus em Jerusalém que começam a se desenrolar todos os acontecimentos que culminaram em sua paixão e morte na Cruz. O Domingo de Ramos é narrado em todos os quatro Evangelhos. Nós encontramos referências a ele em Mateus, Marcos, Lucas e João. Neste episódio, Jesus é recepcionado em Jerusalém pelo povo, que prepara uma recepção, onde ele é reconhecido como Rei, conforme vimos na leitura de hoje, onde o povo proclama:

“Bendito o Rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!’

Os Ramos eram o símbolo do reconhecimento de que o povo via Jesus como o Messias, aquele que traria a Salvação para Israel. Em razão disso se desenvolveu nossa tradição Católica de usar os ramos nesta celebração, onde voltamos a proclamar que Jesus é o nosso Rei, o nosso Messias, o nosso Salvador. Os ramos simbolizam nossa aceitação do Reinado de Jesus sobre nós e mostram toda nossa devoção por Ele.

Domingo de Ramos

Apenas a título de curiosidade, não sei se vocês sabem, mas as cinzas utilizadas na celebração da quarta-feira de cinzas, que marca a abertura do tempo de Quaresma, são feitas através da queima dos ramos utilizados na celebração do Domingo de Ramos do ano anterior. Quando se deram esses acontecimentos, foram utilizados pelo povo ramos de oliveira. A oliveira, que produz a oliva, que nós conhecemos como azeitona, é uma árvore muito comum naquela região. Hoje, no Brasil, utilizamos principalmente os ramos de palmeira, já que não temos oliveiras espalhadas pelo nosso país.

Hoje nossa celebração tem uma peculiaridade. Temos dois evangelhos. Mas vou começar nossa conversa sobre as leituras pela primeira leitura e deixar para analisar os evangelhos em conjunto.

Na primeira leitura, retirada do livro do profeta Isaías, nós vemos a figura de um profeta, que não recebe nome no texto, mas que é chamado por Deus para ser sua testemunha no meio dos povos. Esse profeta é vítima de um sem número de provações e sofrimentos, mas se mantém fiel à sua missão dada por Deus. Essa missão que o profeta recebeu tem um caráter universal. Ela não é direcionada a um local específico e está diretamente ligada à proclamação da Palavra de Deus junto aos homens. Diz o profeta logo no início da leitura:

“O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido,para prestar atenção como um discípulo.”

Todo profeta é sempre um homem condicionado a proclamar a vontade de Deus no seu universo de atuação. Ele é um homem que se dispõe a que Deus possa falar através dele. Ele é aberto à escuta de Deus, não é resistente à vontade de Deus, mas é submisso a ela. É uma pessoa através da qual a voz de Deus se faz presente no mundo.

O profeta é também uma pessoa corajosa e insistente. Se proclamar a palavra de Deus no mundo fosse algo fácil e a aceitação das pessoas a respeito da vontade de Deus fosse algo natural, nosso mundo seria um local muito mais amoroso e justo. Mas, sabemos que na realidade não é assim que as coisas funcionam. As propostas tentadoras que o mundo nos oferece pouco ou nada se alinham com a vontade de Deus para nós e, assim, o profeta sempre encontra resistência à sua pregação. Muitas vezes sua vida é marcada pela perseguição, pela dor e pelo sofrimento. Não é uma missão tranquila. O autor do texto deixa esse sofrimento marcado de forma bem clara:

“Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas.”

Por fim, a missão do profeta também é recompensada pela certeza de que Deus não o abandonará, ou seja, Deus nunca abandona aqueles que assumem a missão de levar sua Palavra, de proclamar seu plano de amor e justiça para nosso mundo. Diz o autor, no final da leitura:

“Mas o Senhor Deus é meu auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado.”

(…)continua

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Ajuda
5º Domingo da Quaresma (Ano C)

5º Domingo da Quaresma – Ano C

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Is 43,16-21
  • Salmo – Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
  • 2ª Leitura – Fl 3,8-14
  • Evangelho – Jo 8,1-11

Chegamos ao quinto e último domingo da Quaresma. Já estamos às portas de iniciarmos a semana mais importante da Cristandade, que é a Semana Santa. E será que estamos aproveitando este tempo quaresmal para realizarmos verdadeiramente uma preparação séria, que nos permita celebrar com dignidade a festa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, esta festa que dá sentido à nossa fé, que torna viva nossa esperança e dá sentido ao nosso presente? Lembremos sempre do que nos diz São Paulo, na carta aos Coríntios:

“Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.”

Ainda é tempo de realizarmos uma preparação mais intensiva, fazendo o que nossa Igreja nos pede, em especial, neste tempo. Uma dedicação maior à oração, ao jejum, à penitência e à caridade. É claro que sempre devemos praticar todas estas virtudes, como já repetimos durante todas estas semanas, mas, neste tempo da Quaresma, em especial, devemos nos dedicar com mais atenção a cada uma delas. Reservarmos um tempo maior para oração. Faça uma experiência de conversar com Deus, como você conversaria com um amigo íntimo. Conte para Ele suas alegrias, suas angústias, seus medos, suas expectativas. Agradeça por tudo o que Ele te proporcionou na vida. E temos é coisas para agradecer… nós é que não as enxergamos como dons, como presentes de Deus para nós. Pare um pouco nesta semana, e converse com Deus sobre estas coisas!

Faça jejum também! Um jejum de conversão! Abra mão na sua vida de alguma coisa a que você é apegado, mas que, lá no fundo, você sabe que te afasta de Deus. Aqueles pecados que são quase de estimação, que nós aprendemos a carregar conosco comodamente, muitas vezes dando a desculpa de que “somos assim…”, “Deus entende, Ele me conhece…”. Faça um esforço nesta semana para viver sem eles! Faça um jejum deles! Com certeza a misericórdia de Deus vai te ajudar aos poucos a superar cada uma destas pequenas coisas e te fazer viver uma vida melhor, mais liberta, mais desapegada destas pequenas coisas, que tanto nos atrapalham a nos tornarmos pessoas melhores, católicos melhores!

Se tiver a oportunidade, procure um Sacerdote e faça um boa confissão! A confissão nos ensina a sermos mais humildes, pois faz com que nós admitamos com nossa própria voz e com nosso próprio coração, os nossos erros, nossas falhas, nossas fraquezas. Diante de Deus, devemos sempre nos reconhecer como pecadores, como seres limitados e falhos. Quando reconhecemos isso e temos a verdadeira disposição de nos tornarmos pessoas melhores perante esse Deus, que tanto nos ama, certamente receberemos misericórdia em abundância e a ajuda necessária para que possamos progredir. A confissão torna nossa alma mais leve, pois leva com ela o que nos pesa na consciência e traz para dentro de nós o perdão de Deus.

Trabalho e ajuda
Créditos das imagens: vecteezy.com

Procure exercitar também a sua caridade. Não precisa ser algo mirabolante. Exercite sua caridade no dia a dia. Seja mais amoroso com as pessoas que estão ao seu lado. Dê atenção para aqueles que tanto precisam ou requisitam a sua atenção no dia a dia. Um filho, uma filha, seu pai, sua mãe, um amigo. Desligue um pouco a TV, converse com sua família. Não deixe o prato da janta em cima da mesa…. leve o prato até a pia e, quem sabe, espero não estar pedindo demais… Lave a louça no lugar de quem sempre lava, arrume a casa para a sua família.. Quem sabe você não vai perceber que não é tão doloroso assim, e vai acabar dividindo estas tarefas com os outros membros da sua família! Um pouco para cada um pesa menos para todos no dia a dia.

Na primeira leitura de hoje, retirada do Livro do Profeta Isaías, Deus recorda ao seu povo, mais uma vez, o seu grande amor por ele. O amor que realizou prodígios, quando libertou o povo da escravidão do Egito, das mãos do faraó. O profeta lembra a travessia do povo hebreu no mar vermelho e a derrota do Faraó e todo o seu exército, que foi aniquilado pelas águas.

O profeta também pede que o povo não fique apenas relembrando as coisas do passado. O que passou é importante, sem dúvidas, pois nos traz aprendizado. Um povo que vive sem se recordar do seu passado, da sua história, é um povo sem memória, que não aprende, que não guarda as lições e, assim, acaba sempre recaindo nos mesmos erros que já foram cometidos. Mas não podemos viver eternamente presos ao passado. Devemos retirar dele sempre o aprendizado necessário para que possamos viver o presente de maneira mais acertada, não repetindo os erros que nos fizeram tropeçar.

(…)continua

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Rio
4º Domingo da Quaresma (Ano C)

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Js 5,9a.10-12
  • Salmo – Sl 33,2-3.4-5.6-7 (R.9a)
  • 2ª Leitura – 2Cor 5,17-21
  • Evangelho – Lc 15,1-3.11-32

Hoje avançamos um pouco mais no período da Quaresma e já chegamos ao quarto domingo! Nunca é demais lembrar que a Quaresma é um tempo especial, onde a Igreja nos pede um pouco mais atenção com determinadas práticas que devem fazer parte de nossa vida normal, mas que, nesta época, merecem uma maior atenção: a oração, a penitência, o jejum e a caridade. Através de uma dedicação maior a estas quatro coisas, nós podemos fazer uma verdadeira revisão de nossa vida espiritual, preparando-nos interiormente para a grande festa da Páscoa, a festa da ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, que já está se aproximando.

A primeira leitura de hoje é retirada do Livro de Josué. Josué é descrito na Bíblia com um jovem que foi escolhido por Moisés para ser seu assistente pessoal. No Livro do Êxodo, no capítulo 17, vemos Moisés delegando a Josué a missão de escolher homens para formar um exército que sairia em combate contra os Amalequitas. Josué também acompanhava Moisés todas as vezes que ele ia à tenda para se encontrar e conversar com Deus. Sem dúvida, todo esse tempo foi de grande aprendizado para Josué, onde ele aprendeu a conhecer mais de perto o Senhor Deus e a se tornar um servo fiel e comprometido com Ele.

Pintura de Nicolas Poussin
Pintura de Nicolas Poussin (Victoire de Josué sur les Amalécites) – Fonte: https://commons.wikimedia.org/

Josué foi oficialmente escolhido como sucessor de Moisés em um local próximo do Rio Jordão, quando Moisés já havia assimilado que não seria ele quem conduziria pessoalmente o povo para a terra prometida de Canaã. Então, Moisés escolheu Josué e lhe atribuiu essa missão de ser o novo líder de Israel. Depois de tanta convivência com Moisés, experiência e sabedoria não iram faltar a ele.

No trecho que lemos hoje, os israelitas, que tinham acabado de cruzar o deserto, atravessaram o Rio Jordão e estavam em um local que é denominado Guilgal, que devia se situar ainda próximo do Rio Jordão, na direção de Jericó. Os Judeus estavam próximos de celebrar a primeira Páscoa, já dentro da terra prometida, e somente aqueles que eram circuncidados poderiam participar dessa festa. Um pouco antes, num trecho anterior do livro, nesse mesmo capítulo, nós vemos que Josué havia feito todo o povo passar por este rito da circuncisão. Desde que saíram do Egito, nenhum israelita que nasceu no caminho pelo deserto havia sido circuncidado e Josué fez cumprir esse rito, que era sinal da aliança que Deus havia feito com Abraão, e, dessa maneira, era também um sinal de que este povo pertencia a Javé.

Esse povo, circuncidado por Josué, afirmou, portanto, a sua pertença a Deus. Este rito pode ser entendido como uma espécie de conversão coletiva, que coloca fim ao opróbrio do Egito, como vemos na leitura, e marca o início de um novo tempo, onde um povo, agora livre da escravidão, inicia um nova era caminhando ao lado de seu Deus.

Reparem que a circuncisão, por si só, nada mais é do que um ritual físico e que sozinho é vazio. Os próprios autores dos Livros da Bíblia mencionam, tanto no livro do Deuteronômio, quando no livro de Jeremias, que o importante é a circuncisão do coração, onde a gente pode celebrar verdadeiramente uma nova vida, através do arrependimento de nossos pecados e de uma adesão sincera aos planos de Deus para nós.

Nesse tempo da Quaresma, nós também somos convidados por Deus para passarmos para uma nova vida. Precisamos passar por um processo de conversão, processo esse que deve ser constante em nossa caminhada, mas que deve ter uma atenção especial nesse tempo quaresmal.

Podemos ver que a questão central do nosso texto de hoje gira, portanto, na vida nova que se inicia para o povo de Israel. E essa Páscoa, a que se refere a leitura, marca o início desse novo tempo.

Na segunda leitura, Paulo nos lembra que, em Cristo, Deus reconciliou o mundo dos homens com Ele. Paulo diz:

“Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nós nos tornemos justiça de Deus.”

Nesta mensagem vemos a preocupação de Paulo com o fato de os Coríntios estarem se afastando da busca desta reconciliação com Deus. Ele insiste muito neste ponto. 

Em nome de Cristo, nós vos suplicamos: deixai-vos reconciliar com Deus.”

(…)continua

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refletir
3º Domingo da Quaresma (Ano C)

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Ex 3,1-8a.13-15 
  • Salmo – Sl 102,1-2.3-4.6-7.8-11 (R.8a) 
  • 2ª Leitura – 1Cor 10,1-6.10.12 
  • Evangelho – Lc 13,1-9 

Chegamos ao terceiro Domingo da Quaresma. Não custa relembrar que a Quaresma é, por sua natureza, um tempo de conversão. A gente tem que estar sempre lembrando disso durante esses 40 dias. É um tempo que temos para nos reaproximarmos com mais intimidade do nosso Deus. Um tempo de preparação, para que a gente possa chegar renovados na festa, que é o ápice de toda a vida espiritual do católico, do cristão, que é a Páscoa.

Nunca é demais lembrarmos que, durante esse período devemos nos dedicar mais algumas práticas espirituais que são pedidas pela nossa Igreja: a oração, a caridade, a penitência e o jejum. Assim, conseguimos frear um pouco na nossa alma a aceleração que nos move todo dia, a aceleração que move o mundo moderno.

O mundo moderno é cheio de tantas coisas boas, de tantas facilidades, é verdade. Facilidades que nos ajudam a ter uma vida mais tranquila. Quando a gente lembra como era a nossa vida antigamente, há dez ou vinte anos… a gente vê como as coisas mudaram. No entanto, esse mundo é repleto de estímulos que nos aceleram o tempo todo, que nos inquietam o tempo todo. Nós temos sempre algo para fazer, algo para planejar, algo para realizar, que não pode ficar para amanhã. Tudo é urgente. Não podemos ficar parados. É como se a gente tivesse uma dificuldade de relaxar, de esvaziar o pensamento, para que a gente pudesse se conectar de uma forma mais tranquila com Deus. 

ocupações do dia-a-dia
Créditos da Imagem: vecteezy.com

Então, que a gente possa aproveitar a Quaresma para priorizar o que é realmente essencial para nós. Não é fácil, está não é uma tarefa fácil. Muitas coisas a gente vai ver que são importantes para nós, mas a gente tem que ter prioridades. A gente tem que fazer um exercício que nos permita, pelo menos, desacelerar um pouco, para que possamos ter uma conexão melhor com Deus.

A primeira leitura de hoje é retirada do livro do Êxodo. Nela, assim como na leitura da semana passada, na qual Deus se manifestou diretamente para Abraão. O relato do chamamento de Moisés é um relato que aparece num contexto que a gente costuma chamar de teofania. O que é teofania? Teofania, por definição, é uma manifestação de Deus aos homens. São manifestações diretas de Deus para as pessoas. A gente tem vários exemplos de episódios teofânicos, tanto no antigo testamento, como no novo testamento. E da mesma forma como vimos na semana passada, o local indicado na nossa leitura, onde ocorre esse episódio teofânico é um monte, o Monte Horeb.

Nós vimos, nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, que sempre que a gente tem um Monte presente, a gente tem um símbolo de um local, que é mais alto do que a Terra, mas também um local que fica abaixo dos céus. Os céus, onde é a morada de Deus. Então, o Monte é um simbolismo do meio do caminho entre Deus e os homens. É um local onde eles podem se encontrar. E reparem que, da mesma forma como fez com Abraão, Deus se manifesta espontaneamente a Moisés. Deus vê o sofrimento do seu povo, que vive escravizado pelo Faraó do Egito.

Nosso Deus é um Deus libertador. Não agrada para Deus que as pessoas sejam mantidas escravizadas, subjugadas no sofrimento constante, apenas para satisfazer um grupo de pessoas menor, um grupo que muitas vezes detém o poder político, econômico, se tornando um poder opressor. Não foi para isso que Deus criou o ser humano. Deus não nos criou como marionetes, mas Ele nos criou como seres independentes, dotados de inteligência de vontade própria, livres para que a gente possa viver a nossa própria vida e não a vida que os outros querem que a gente viva. Não nos criou para uma vida onde tenhamos que viver para atender a interesses egoístas, que visam apenas satisfazer as necessidades particulares desse pequeno grupo de pessoas.

Deus quer que a gente tenha a preocupação de viver uma vida onde possamos ser personagens ativos na criação e na construção de um mundo melhor. E para isso, a Liberdade é fundamental.(…) continua

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Quaresma
2º Domingo da Quaresma (Ano C)

Leituras do Dia

  • 1ª Leitura – Gn 15,5-12 17-18 
  • Salmo – Sl 26,1.7-8.9abc.13.14 (R. 1a) 
  • 2ª Leitura – Fl 3,17-4,1 
  • Evangelho – Lc 9,28b-36 

Hoje celebramos o segundo Domingo da Quaresma. E nunca é demais lembrar que a Quaresma é um tempo em que a Igreja nos pede algumas coisas em especial. A gente já falou um pouco disso na semana passada, mas eu vou fazer uma rápida recapitulação. E vejam bem, não quer dizer que essas coisas que a Igreja nos pede, em especial no tempo da quaresma, não sejam necessárias durante toda a nossa vida, de católicos, de cristãos. São necessárias o tempo todo. Mas nesse tempo, a Igreja pede uma atenção especial, um cuidado maior com elas. E quais são essas coisas? A oração, a caridade, a penitência. Lembremos delas com mais carinho durante este tempo especial.

O tempo da Quaresma é marcado pela cor roxa. A cor roxa transmite um significado de meditação, de reflexão. A Quaresma também é um tempo oportuno para que a gente possa fazer uma reavaliação da nossa vida espiritual. Essa reavaliação que fazemos, deve vir acompanhada de uma transformação. E a devemos entender o termo transformação, não como algo que nos muda exteriormente, mas como algo que nos muda interiormente. Essa transformação deve fazer com que sejamos pessoas melhores, pessoas que desejam e aprimoram um relacionamento mais próximo com Deus e com os irmãos. 

Ajuda

Essas práticas da Quaresma, a oração, a caridade, a penitência, o jejum, são só os instrumentos através dos quais podemos realizar essa revisão espiritual das nossas vidas, a fim de que a gente esteja preparado, arrumadinho, para a grande festa da cristandade, que é a Páscoa.

A primeira leitura de hoje é retirada do livro do Gênesis. Abraão é o personagem central da nossa leitura. Ele já possuía uma certa idade e se ressentia de não ter uma descendência. Ele não teve filhos, então não tinha para quem deixar o seu legado. Apenas a título de curiosidade, em situações como essa de Abraão, quando a pessoa não possuía descendentes, era costume que ela adotasse um escravo, um escravo de bom comportamento, ao qual ela tivesse uma certa afeição. E esse escravo se comprometia a dar uma sepultura digna para o seu senhor, quando chegasse o momento da sua partida. Ele se tornava filho daquela pessoa e quando essa pessoa viesse a falecer, esse escravo se tornava o seu herdeiro. Contratos como esse foram encontrados por arqueólogos. Eles datam mais ou menos do século XV antes de Cristo e mencionam esse tipo de acordo. Então podemos concluir que Abraão estava temendo exatamente por esse tipo de situação. 

E nesse contexto em que Abraão se encontrava, Deus se manifesta e ele e o convida a contar as estrelas do céu. Eu não sei se você já tiver a oportunidade de estar num lugar longe das capitais, longe das grandes cidades. O céu nas grandes cidades é muito iluminado artificialmente durante a noite e impede que a gente veja a quantidade de estrelas que conseguimos ver quando vamos para um lugar mais afastado, para um lugar mais para o interior, onde a luminosidade da noite é bem menor. Quem já teve essa experiência sabe como o céu é pulverizado de tantas estrelas. A gente não consegue realmente contar. Na cidade, a gente até consegue. A gente faz um esforço e conta 1,2,3… As Três Marias, O Cruzeiro do Sul. Mas numa num local de pouca luminosidade, a gente vê uma imensidão de estrelas. E é essa imagem que Deus transmite para Abraão. Ele promete para Abraão que a descendência dele seria tão numerosa quanto aquelas estrelas ali do céu.

Reparem gente, que Deus, vendo a condição de Abraão, vendo o que se passava no seu coração, vem a ele de uma forma espontânea. Deus se manifesta a Abraão e oferece a ele a oportunidade dessa descendência e da posse da terra que ele já ocupava. Esse é um gesto gratuito da parte de Deus. Deus não impõe a Abraão nenhuma condição. Ele não exige nada de Abraão. No entanto, Abraão fica meio desconfiado e pergunta: Como é que eu poderei saber que eu vou possuir essa terra? Como é que eu vou saber que o senhor está falando a verdade, que o senhor vai cumprir as promessas que está fazendo para mim? E Deus lhe dá essa garantia. Ele pede então a Abraão que prepare um ritual, um ritual de celebração de Aliança, que era também uma coisa muito comum na época. Eram rituais feitos de várias maneiras. (…)

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